Pedro Santana Lopes
Pedro Santana Lopes 11 de outubro de 2017 às 21:45

Demasiadamente complexo

Os próximos passos da relação entre Madrid e Barcelona exigem que os líderes de cada lado só ajam com absoluta segurança.

Cada passo e cada palavra têm significado, como tem significado o discurso de Carles Puigdemont e tem igualmente significado o pedido de aclaração feito pelo Governo de Madrid sobre a declaração do presidente da Generalitat. A manifestação em prol da unidade de Espanha, que teve lugar em Barcelona, no fim de semana passado, foi muito significativa, porque, ainda por cima, não gerou desmandos nem teve qualquer carga negativa.

 

As caras dos manifestantes revelavam uma expressão positiva, sentimentos transmitidos com sorrisos. Por outro lado, naturalmente, o anúncio feito por cerca de duas dezenas de empresas significativas, de que transferiam as suas sedes para fora da Catalunha, seja para Madrid, seja para Valência, seja para outros locais, teve profundo impacto.

 

Qualquer processo de mediação que ocorra dificilmente pode ser assumido por uma entidade externa ao Estado espanhol e nunca externa à União Europeia. Mais fácil, apesar de tudo, será uma personalidade de perfil adequado de uma região espanhola, que não seja Castela nem Catalunha. De qualquer modo, não é fácil. Mais adequado, pelo menos nos próximos dias, é continuar com o princípio dos bons ofícios e que as diligências se desenvolvam nos bastidores, nos corredores, longe da luz dos holofotes. Madrid continua a insistir, compreensivelmente, que não aceita a mediação entre a legalidade e a ilegalidade e, por sua vez, na Catalunha, os líderes do processo independentista vão garantindo que ele, de um modo ou de outro, prosseguirá.

 

Em minha opinião, no atual momento, será de compreender que se tenha em consideração a evolução para algo como um Estado federal, com as várias regiões espanholas, ou pelo menos algumas delas, a passarem a Estados federados. Já é impossível, naturalmente, no âmbito de um processo de unidade mínima do Estado, que seja recusada pela região a forma de Governo, neste caso a monárquica.

 

O que o momento exige, como dizia no início do texto, é que os estadistas se afirmem, concretamente em Madrid, e que os líderes regionais também sejam capazes de estar à altura das suas responsabilidades históricas. Se houver separação da Catalunha de Espanha, haverá também a saída da União Europeia e, nessa matéria, também as regras são claras. Para, eventualmente, fazer parte da União Europeia, teria de haver, um dia, um novo pedido de adesão. É tudo demasiadamente complicado para que os responsáveis políticos não sejam capazes de ver que a situação exige capacidade de evitar ruturas dolorosas.

 

Advogado

 

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