António Moita
António Moita 27 de junho de 2017 às 00:01

Dentro de meses já ninguém se lembra

Em Agosto do ano passado, depois de uma semana negra de incêndios, o Presidente Marcelo afirmou que seria necessário encontrar com urgência soluções imediatas pois caso contrário "dentro de meses já ninguém se lembra".

Pois parece ter sido o que aconteceu. E voltará certamente a acontecer a avaliar pelas afirmações que ouvimos nos últimos dias.

 

Desta vez temos a menos a origem criminosa dos incêndios e a mais a falha do SIRESP. Tudo o resto está igual. Falhas na coordenação e na logística, o desordenamento e a falta de limpeza das florestas, o anúncio de condições climatéricas invulgares raramente desencadeia medidas de prevenção adicionais.

 

Lembro-me de ter escrito nessa altura que era tempo de estabelecer prioridades para minorar o problema no futuro. Lembro-me, entre outras, da necessidade de investir num cadastro moderno e atualizado. Temos empresas e tecnologia em Portugal capaz de o fazer com rapidez e qualidade; de definir a responsabilidade dos proprietários, públicos e privados, que não se podem esquecer que lhes está vinculado um dever que se consubstancia no compromisso económico e social para com a comunidade. Por esse mundo fora existem inúmeros modelos de gestão da floresta de natureza pública e/ou associativa que ajudam a tornar a floresta rentável e organizada; de apostar nas autarquias enquanto entidades que pela sua proximidade melhor podem realizar a prevenção. Mas para isso o Governo terá de transferir recursos financeiros adequados e, complementarmente, disponibilizar regularmente outros dispositivos (por exemplo, as forças militares);

 

A imagem do Governo não foi boa. Pouco importa. A oposição no seu registo habitual. Pouco importa. O Presidente presente a distribuir afetos. Pouco importa. O que importa é que nada disto volte a acontecer. Como bem dizia na televisão uma velha senhora residente numa dessas aldeias abandonadas, "a paisagem está toda negra e nós por dentro também estamos assim".

 

Jurista

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico 

A sua opinião8
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
mais votado Anónimo Há 2 semanas

NINGUEM SE LEMBRAR DAIE POR UNS MESES É EXAGERO!

PELO MENOS HÁ DOIS GRUPOS DE PESSOS QUE SE VÃO LEMBRAR:

OS FAMILIARES DOS QUE MORRERAM OU FICARAM DEFICIENTES E OS QUE VÃO GANHAR ALGO COM ISTO!

comentários mais recentes
Célia dos Anjos Há 2 semanas

Concordo com o que diz. Infelizmente tem se vindo a provar que os nossos governantes têm a memória curta mas para que eles não se esqueçam cabe-nos a nós, sociedade civil, não os deixar esquecer e exigir respostas e prevenção para que não voltem a acontecer mais tragédias como esta!

Anónimo Há 2 semanas

MR TUGA:
FALTA AQUI QUALQAUER COISA NO SEU COMEDNTÁRIO!

SE NÃO HOUVESSE INCÊNDIOS COMO SE PODERIAM GANHAR MILHÕES A APAGÁ-LOS?
NÃO FALO DO ZÉ, PORQUE ESSE SÓ PAGA!

Anónimo Há 2 semanas

NINGUEM SE LEMBRAR DAIE POR UNS MESES É EXAGERO!

PELO MENOS HÁ DOIS GRUPOS DE PESSOS QUE SE VÃO LEMBRAR:

OS FAMILIARES DOS QUE MORRERAM OU FICARAM DEFICIENTES E OS QUE VÃO GANHAR ALGO COM ISTO!

Anónimo Há 2 semanas

Tanto aqui como na torre londrina, o Estado, pejado de excedentários, inundado por uma torrente de factor trabalho sindicalizado, caro, desadequado e injustificável, esteve muito mal. Custos fixos do excedentarismo de carreira sindicalizado dos direitos adquiridos, à prova de mercado, oferta e procura, inovação e avanço tecnológico. Uma tragédia anunciada. A seguir podem ser as pontes, os caminhos de ferro, os hospitais, e as escolas, etc. Não façam as reformas que na contemporaneidade tendem cada vez mais a substituir trabalho por capital. Viva Marx e Engels. As forças de mercado não contam para nada.

ver mais comentários