Álvaro Nascimento
Álvaro Nascimento 21 de Novembro de 2016 às 20:15

Depois da Portela+1, vamos ter Alcântara+1?

Se o Barreiro se vai concretizar, para além de saber o valor do investimento público, há outras questões à procura de resposta. A começar, qual o seu real contributo para o sistema logístico nacional, dada a posição excêntrica, por comparação com Alcântara?

A FRASE...

 

"Ministra do Mar: 'O terminal do Barreiro está mais para o lado de avançar'."

 

Celso Filipe, Jornal de Negócios, 19 de Novembro de 2016

 

A ANÁLISE...

 

O novo Terminal do Barreiro tem sido objeto de múltiplas análises. Especialistas questionam a construção de uma nova infraestrutura, quando a capacidade instalada no porto de Lisboa está longe de se encontrar esgotada. Ao mesmo tempo, os custos de manutenção do canal de navegação e os efeitos de impacto ambiental podem ser muito significativos.

 

Recentemente, a Associação Comercial do Porto revisitou o assunto. Analisou o impacto do sistema portuário para a logística e competitividade do país, à semelhança do que já havia feito quando estudou a necessidade de um novo aeroporto na região de Lisboa (tendo recomendado a opção "Portela+1"). Surge agora a propor que, excetuando incrementos marginais de reforço da capacidade no porto de Leixões - para satisfazer a dinâmica exportadora do tecido produtivo regional -, o sistema portuário nacional não está carente de investimentos de expansão.

 

Numa lógica de competitividade - i.e., melhorar a inserção do tecido produtivo nas cadeias de produção globais - falta antes uma estratégia "multi-port-gateway", capaz de colocar Portugal num papel de liderança na fachada Atlântica. Tal corresponde a um reforço da coerência interna do sistema portuário, alcançada através da interligação dos portos de mar e dos centros logísticos da área de influência, por via ferroviária e marítima. Claramente, investimentos de uma outra natureza e ordem de grandeza.

 

Se o Barreiro se vai concretizar, para além de saber o valor do investimento público, há outras questões à procura de resposta. A começar, qual o seu real contributo para o sistema logístico nacional, dada a posição excêntrica, por comparação com Alcântara? Se deixar de fora o "transhipment" (responsável pelo enorme crescimento do tráfego portuário em Portugal e no qual Sines tem uma inegável posição de liderança), qual o modelo de negócio preconizado? E quanto ao futuro do porto de Lisboa: Alcântara +1, ou… encerramento?

 

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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