Carlos Bastardo
Carlos Bastardo 22 de novembro de 2017 às 20:55

Desemprego jovem muito elevado

Se rapidamente não existirem progressos ao nível do emprego jovem, iremos continuar a ver a geração mais habilitada da História, rumar para outras paragens que lhe possibilitem ver o seu valor reconhecido.

A economia portuguesa continua a crescer fundamentalmente devido à procura externa e a algum investimento (sobretudo privado).

 

Como consequência do crescimento do PIB, a taxa de desemprego tem descido. De acordo com os números do INE referentes ao 3.º trimestre de 2017 (dados não ajustados pela sazonalidade), a taxa de desemprego situou-se nos 8,5% (10,5% no mesmo período homólogo do ano anterior). O setor do turismo, fundamentalmente, tem sido responsável por uma importante fatia do crescimento do número de postos de trabalho disponíveis.

 

A população que estava desempregada no final de setembro de 2017 foi estimada em 444 mil pessoas, menos 19% do que um ano antes (cerca de 106 mil pessoas). Por sua vez, estavam empregados à mesma data cerca de 4,8 milhões de pessoas, mais 3% do que um ano antes (cerca de 141 mil pessoas).

 

Apesar da evolução positiva do emprego nos últimos meses, no segmento dos jovens (cidadãos com idade compreendida entre os 15 e os 24 anos), a taxa de desemprego continua elevada, tendo atingido em setembro de 2017 o valor de 24,2%. E pior, a taxa subiu de 22,7% em junho para 24,2% em setembro. E em termos homólogos, a taxa de desemprego jovem apenas caiu 1,9%.

 

Ou seja, a taxa de desemprego jovem é quase o triplo da taxa de desemprego global (24,2% versus 8,5%).

 

Para um país cada vez mais envelhecido e a necessitar que a taxa de natalidade aumente progressivamente e significativamente, o facto de os nossos jovens enfrentarem grandes dificuldades de emprego e o nível salarial do primeiro emprego ter-se reduzido substancialmente nos últimos anos devido à crise económica em nada contribui para que tal se possa concretizar de forma vincada nos próximos anos.

 

Para quem tem filhos que estão na universidade ou que acabaram a sua formação (universitária ou não) há pouco tempo, como é o meu caso e de numerosas famílias portuguesas, é triste verificar que as oportunidades de emprego para os jovens são escassas face ao que o país realmente necessitava para dar o tal salto que todos desejamos.

 

O investimento feito pelas famílias na educação dos filhos (nos setores público e privado da educação) e o investimento efetuado pelo Estado no mesmo processo não encontram a devida resposta por parte da economia. Hoje, temos a geração de desempregados ou de empregados com baixo salário mais bem formada e habilitada da História de Portugal.

 

Este subaproveitamento de habilitações não é positivo para o aumento da criação de riqueza e da produtividade da nossa economia e, principalmente, para a realização dos objetivos pessoais dos nossos jovens em termos de carreira e de constituição de um agregado familiar.

 

São urgentíssimas decisões de apoio ao emprego jovem, mas com resultados visíveis e que não façam aparecer notícias negativas como há alguns meses. Há que dar incentivos às empresas para a criação de emprego jovem, mas que sejam dados apenas após a verificação cabal de que estas cumpriram escrupulosamente os termos para que se candidataram.

Se rapidamente não existirem progressos ao nível do emprego jovem, iremos continuar a ver a geração mais habilitada da História, rumar para outras paragens que lhe possibilitem ver o seu valor reconhecido.

 

Economista

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

pub