Fernando  Sobral
Fernando Sobral 11 de janeiro de 2017 às 19:54

Dickens e a dívida nacional 

É um labirinto sem saída: Portugal emite dívida para pagar os juros da dívida acumulada. Joga com os juros e, de vez em quando, faz uns pagamentos antecipados para poupar uns trocos.

Aperta o cinto do défice, mas não cresce o suficiente para ir ceifando a dívida pública medonha que cresceu como num campo de trigo sem dono. O FMI engorda: paga-se, pelos vistos, juros de 4,6% a uma entidade que tem uns técnicos que, de vez em quando, repetem como papagaios o que leram nos livros dogmáticos da instituição. Pior ficam sempre os portugueses: só este ano têm de pagar aos credores 8,3 mil milhões de euros em juros, qualquer coisa como 4,3% do PIB. Nem o rei da matemática conseguiria um saldo zero com estas variáveis. Como já não há ouro do Brasil nem pimenta das Índias, Portugal fica de mão estendida à espera que a DBRS não esteja enjoada e que o BCE emita moeda. É uma triste sina para o país. E não vamos lá com a tentativa de, através de baixos rendimentos, nos tornarmos o Bangladesh da Europa, como alguns desejavam.

 

Portugal é a Little Dorrit da Europa. Basta ler "Little Dorrit", uma obra de Charles Dickens que poderia ter tudo que ver com os dias de hoje. Nela Amy Dorrit vive numa prisão para detidos por questões financeiras, Marshalsea, onde o seu pai está encarcerado desde antes do seu nascimento. "Little Dorrit" é um livro sobre dinheiro e estatuto. Sobre os empréstimos a pessoas que não o têm e que nunca o poderão pagar, como William Dorrit, que gastam o que não têm. Esbanjámos, é certo, com a bênção de José Sócrates. Mas custa ver este país, que poderia ser um pequeno paraíso com sol e mar, perdido num destino que não controla. A história da nossa culpa colectiva é conhecida e é contada aos meninos do Norte da Europa, que acham que no Sul só existem mandriões e pedintes do seu dinheiro. Não se olha para o outro lado da moeda que adoptámos e que fez a fortuna do Norte e a miséria do Sul. Mas, claro, não é assim que deixamos de ser a pequena Amy Dorrit.

 

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mais votado Anónimo Há 1 semana


Ladrões FP . CGA – 40 ANOS A ROUBAR OS TRABALHADORES E PENSIONISTAS DO PRIVADO

PENSÕES DOS ATUAIS TRABALHADORES

Os atuais trabalhadores já tiveram vários cortes nas suas futuras pensões!... Através das várias alterações à sua fórmula de cálculo!

AGORA CHEGOU A HORA DE CORTAR NOS ATUAIS PENSIONISTAS.

comentários mais recentes
Jose Há 1 semana

Como é que o Sobral explica que o governo tenha amortizado dívida ao FMI, a 3,5%, e emita agora dívida a 4,2%? Diga lá, Sobral, quem foi o autor de tal CRIME? O Sobral é vesgo, já o sabemos. Só vê para um lado.

Anónimo Há 1 semana

Mr. Tuga, mas quando a Paf deu milhões aos colégios privados para os donos comprarem Ferraris, a coisa não deu para o torto, pois não?

Anónimo Há 1 semana


ESTADO NÃO DEVE PAGAR O REGABOFE DOS LADRÕES FP / CGA

OS DESCONTOS DOS BENEFICIÁRIOS CGA, NÃO CHEGAM PARA PAGAR… NEM METADE DA PENSÃO QUE RECEBEM

Não é verdade que as pensões em abono correspondam ao valor dos descontos dos beneficiários.

As pensões auferidas são muito superiores às que os pensionistas teriam direito caso apenas se utilizassem os respetivos descontos capitalizados para as pagar.

Com pressupostos muito otimistas, não seria sequer possível pagar 50% das pensões que a CGA atualmente paga, caso apenas se contassem os descontos legais feitos a favor do pensionista ao longo da sua carreira.

Anónimo Há 1 semana


Ladrões FP . CGA – 40 ANOS A ROUBAR OS TRABALHADORES E PENSIONISTAS DO PRIVADO

PENSÕES DOS ATUAIS TRABALHADORES

Os atuais trabalhadores já tiveram vários cortes nas suas futuras pensões!... Através das várias alterações à sua fórmula de cálculo!

AGORA CHEGOU A HORA DE CORTAR NOS ATUAIS PENSIONISTAS.

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