Jorge Marrão
Jorge Marrão 04 de dezembro de 2017 às 21:45

Direita: para que serves?

Depois de quase duas décadas sem crescer economicamente, e de mais duas potenciais legislaturas de um governo esdrúxulo, estaremos em condições de enterrar as direitas atuais?

A FRASE...

 

"E a direita calar-se-ia… pois que, na verdade, desde Sá Carneiro, não sabe o que é ter coragem política."

 

Miguel Sousa Tavares, Expresso, 1 de dezembro de 2017

 

A ANÁLISE...

 

Ao que parece, tem sido a sociedade a mudar a direita, e não o seu contrário. A esquerda comandada pelo PS sabe ocupar o poder, secar a direita, e utilizá-la a seu bel-prazer. De onde vem a falta de coragem política de hoje da direita? De uma ideologia ultrapassada, de ausência de um D. Sebastião de direita, de complexos de esquerda formados no rescaldo revolucionário do 25 de Abril, de ocupação do aparelho de Estado por mentes estatizantes e não liberais/conservadores de direita, de domínio da comunicação social por ideias de esquerda, de dependência excessiva do modelo redistributivo do Estado ou de uma verdadeira crise de valores das pessoas que não são de esquerda, ou simplesmente de um povo fragilizado que não se vê sem o apoio estatal direto e indireto? De isto tudo, ou de quase nada, se pode queixar a direita.

 

As direitas transfiguram-se para parecerem o que realmente são: não são uma alternativa de poder, se não romperem sem complexos com o passado de um triângulo errado de política, economia e sociedade. Quem se revê nesta fórmula governativa de compromissos frágeis sobre a Europa, o euro, a valorização da economia de mercado e a asfixia da liberdade do indivíduo e das empresas perante os impostos, as taxas e a regulação da vida privada e empresarial levada ao extremo, não encontra interlocutores políticos convictos do seu papel histórico de "destruir criativamente" o estado do Estado da nação. Ao Presidente da República (nascido e criado nos círculos de direita) e à oposição poder-lhe-ia caber o papel de explicar o erro das reversões e o falso caminho que estamos a trilhar.

 

Alguém nos explicou a tempo que as nacionalizações não eram irreversíveis. Deveria ser possível explicar que este Estado é reversível. Ao invés, as direitas "camaleonizam-se" para parecer bem perante a opinião pública, sem se darem conta de que não têm utilidade nenhuma para o país. Depois de quase duas décadas sem crescer economicamente, e de mais duas potenciais legislaturas de um governo esdrúxulo, estaremos em condições de enterrar as direitas atuais?

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

pub