Rui Barroso
Rui Barroso 20 de abril de 2017 às 22:26

Ditaduras, democracias e mercados financeiros

A Venezuela está em estado de sítio. Mas apesar dos alertas de que entraria em incumprimento, o regime de Maduro destinou 2,5 mil milhões de dólares para pagar uma obrigação.
Já El Salvador falhou alguns pagamentos, no que foi considerado um incumprimento selectivo, devido à falta de consenso entre o presidente e a oposição. A Freedom House considera El Salvador uma democracia, contrariamente à Venezuela. Foi o suficiente para se fazerem análises sobre se é mais arriscado deter dívida de emergentes autocráticos ou democráticos.

Segundo a Bloomberg, houve seis emergentes a entrar em "default" desde 2000. Todos de países considerados livres. O último de um país classificado como não livre pela Freedom House foi o da Rússia em 1998.

A agência refere que as obrigações de países autocráticos renderam 15% em 2016, acima de 8,6% dos títulos de emergentes democráticos. "Num regime autocrático, a manutenção do governo é mais importante que o bem-estar da população. Se um "default" aumentar riscos para o governo, o partido no poder vai fazer tudo para o prevenir", justificou um analista. Maiores retornos e menos "defaults" até podem parecer sedutores. Mas é um dos casos em que a responsabilidade social dos investidores tem de falar mais alto. 


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