Álvaro Nascimento
Álvaro Nascimento 25 de setembro de 2017 às 20:10

Dívida e dúvida...

Nunca desde a crise, a inflação produziu tamanha erosão sobre o valor da dívida, como a que se espera em 2017.

A FRASE...

 

"O ministro das Finanças tem a certeza de que a dívida pública de Portugal, em percentagem do PIB, se vai reduzir este ano. E de forma bastante expressiva."

 

Carla Pedro, Jornal de Negócios, 17 de Setembro de 2017

 

A ANÁLISE...

 

Duas notícias recentes merecem destaque: de um lado, a anunciada redução da dívida pública, em paralelo com a amortização de 6 mil milhões de Obrigações do Tesouro em outubro; e, do outro lado, a melhoria do "rating" da República Portuguesa, decorrente da decisão da S&P de retirar as emissões do Tesouro da categoria de lixo.

 

O bom desempenho da economia portuguesa justifica ambas as notícias. Mas, nem por isso, devemos deixar de colocar os números em perspectiva e vincar, também, as preocupações latentes nos discursos do Presidente da República, exortando os portugueses a continuar a concentrar esforços no robustecimento da economia, potenciando o crescimento futuro.

 

A fixação da meta de 127,7%, para dívida pública em percentagem do PIB, no ano de 2017 - comparativamente ao valor de 130,4%, no final de 2016 - é um resultado aritmético que nada fica a dever à redução absoluta da dívida. Suporta-se antes no excecional crescimento do PIB.

 

Com a economia a crescer acima dos 2,5% e a inflação esperada na ordem dos 1,5%, a simples manutenção da dívida permitiria reduzir o rácio da dívida pública sobre o PIB de 130,4% para 125,4%. Aliás, conservador, na medida em que os dados mais recentes apontam para um desempenho mais positivo, estimando que a taxa de crescimento real se aproxime dos 3%.

 

Incapaz de destruir o valor da dívida por via da inflação, o BCE apenas pode ajudar Portugal por via da redução do encargo de juros - em resultado da política expansionista que tem seguido - à qual, também, ajuda a revisão do "rating" pela S&P. Nunca desde a crise, a inflação produziu tamanha erosão sobre o valor da dívida, como a que se espera em 2017.

 

Neste contexto continua a ser importante garantir: (1) o rigoroso controlo da execução orçamental, evitando a escalada da despesa e o aumento da dívida; (2) a sustentabilidade do crescimento da economia; e (3) a manutenção de um processo inflacionário com juros baixos. Alguém tem dúvidas sobre este processo de ajustamento?

 

Artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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comentários mais recentes
Pierre Ghost 26.09.2017

....não é a divida que desce....é o PIB que sobe !!!
Mas o tuga inculto e sedento de 1 euro...apenas houve " divida desce " ..." geringonça é amiga "....

Mr.Tuga 26.09.2017

Exacto!

Estes xuxas são uns autênticos MALABARISTAS ....