Fernando  Sobral
Fernando Sobral 18 de Outubro de 2016 às 20:25

Doçura ou travessura?

Os países que loucamente cometeram o pecado do endividamento não sairão daqui. Não há doçuras. Só há espaço para travessuras da CE e dos seus acólitos.

O dia do Halloween, ou das Bruxas, aproxima-se para o OE de 2017. Não interessa muito o que os foliões portugueses do PSD digam, a começar pela espantosa Maria Luís Albuquerque, que depois de ter sido um dos motores da "maior carga de impostos" que já vimos, que levou a uma pobreza infinita no sítio, venha achar que a opção de não aumentar as pensões mais baixas é "vergonhosa". Cada um brinca com as abóboras que quer e faz as máscaras que deseja, mas a Disneylândia política deveria acabar aí. O que Maria Luís proclama no seu sermão aos salmões de viveiro é irrelevante. O Halloween está a ser preparado com mais fervor em Bruxelas, pela inefável CE e pelo seu colega de brincadeiras, o Eurogrupo. Ambos tambores da austeridade até que o chão se quebre debaixo dos seus pés. São eles que vão bater à porta do Governo, mesmo que tenham de engolir um défice de 2,5%, com o esgar do costume: doçura ou travessura? Vão exigir mais cortes, porque é nesse mundo de vistas curtas que vivem. Mesmo que a Finlândia se imole devagarinho e a CE não repare na deriva totalitária da Hungria, liderada por um Viktor Órban que faz parte do PPE, sem que isso escandalize ninguém. Enquanto isso a Europa definha.

 

A sensata Manuela Ferreira Leite bem diz que: "Enquanto houver Tratado Orçamental, Portugal (e outros países europeus) não vai crescer." Nas grilhetas de orçamentos restritivos e serviços da dívida que funcionam como glutões de toda a riqueza, sobra pouco espaço para investimento. E para relançar qualquer economia. Assim os países que loucamente cometeram o pecado do endividamento não sairão daqui. Não há doçuras. Só há espaço para travessuras da CE e dos seus acólitos. É neste terreno armadilhado que António Costa tenta caminhar. Há um sonho: o Executivo acredita que, mais dia, menos dia, a CE, confrontada com crises como a do sector bancário alemão, terá de mudar de política. Terá? Será mais fácil a CE comer abóboras picantes e queimar a língua do que dizer "doçura".

 

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Anónimo Há 3 semanas

Os problemas são fáceis de identificar, encontrar soluções é que é difícil... Pergunta: qual a solução que não passe por contas públicas saudáveis (há por aí quem chame austeridade a este quesito básico de qualquer gestão, desde a doméstica à de um Estado)? A falta "tambores da austeridade" até 2008 levou a um país moderno e desenvolvido? Ou continuámos (como continuamos) a ser o 3º mundo da Europa? E o Brasil, que não tem as amarras de uma moeda única ou de "CE e acólitos", porque raio está em recessão? Não devia estar a crescer a 10% ou 20% ao ano, sem ter quem lhe imponha "austeridade"? Ou será que o problema deles é o mesmo que o nosso, falta de vontade política de tomar medidas fundamentais, que os países desenvolvidos adoptaram há anos? Até quando vão ser os outros responsáveis pela nossa desgraça? Não é tempo de sermos nós a resolver os nossos problemas? Ou vamos continuar a chorar e a pedinchar ad eternum? Já é tempo de tomarmos as rédeas do nosso destino. Mas alguém vê esse desígnio como sendo nosso? Não, porque é mais fácil dizer mal dos outros do que olhar para nós próprios e admitir os nossos erros sucessivos e continuados...