Armando Esteves Pereira
Armando Esteves Pereira 25 de maio de 2017 às 20:51

Dois banqueiros, um destino 

José de Oliveira Costa e Ricardo Espírito Santo Salgado têm origens bem diferentes. O antigo patrão do BPN, de família modesta de Aveiro, foi um fura-vidas, e acabou como cabecilha de um grupo que vai custar mais de sete mil milhões de euros aos contribuintes portugueses.

Ricardo Salgado é nove anos mais novo, nasceu em berço de ouro em Cascais, chegou a dono disto tudo durante mais de uma década e acabou por protagonizar a ruína da mais antiga e poderosa dinastia financeira do país. Oliveira Costa já foi condenado e enfrentará agora uma longa e dispendiosa maratona de recursos judiciais,  que poderá evitar a cadeia. Ricardo Salgado é arguido em vários processos.

 

Quando rebentou o escândalo BPN, a elite financeira do país lançou a narrativa da separação do trigo do joio. O BPN era uma espécie de banco mal frequentado e os outros bancos eram totalmente diferentes. Afinal de contas,  entre os casos de polícia do BPN e os que meia dúzia de anos depois foram  conhecidos no universo do império Espírito Santo, a diferença é apenas na arquitectura mais elaborada no GES e algum verniz. Na essência, os esquemas são muito semelhantes.

 

Oliveira Costa construiu um grupo aproveitando o conhecimento que o dossiê dos perdões fiscais, enquanto foi secretário de Estado com a tutela dos impostos,  lhe proporcionou. Era uma espécie de banco de investidores com dinheiro, maioritariamente novos-ricos, espalhados pelo país e com ligações a barões da política.

 

A família Espírito Santo era a dinastia financeira do país e os seus aliados constituíam a maioria da aristocracia nacional.

 

Com personalidade e percursos pessoais, familiares e profissionais tão diferentes acabam por ter um fim de carreira semelhante. Os dois banqueiros, figuras de proa dos maiores escândalos financeiros do país, partilham o mesmo destino: arriscam a passar os últimos anos de vida num duelo incessante com várias instâncias judiciais.

 

Director-adjunto do Correio da Manhã

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mais votado Anónimo 26.05.2017

MAS AMBOS SÃO DOIS GRANDES ARTISTAS!

comentários mais recentes
I. Silva 27.05.2017

Segundo um magistrado italiano, banqueiro que rouba o banco rouba milhões de famílias e Se quem rouba uma casa tem anos de prisão, é justo tratar esse banqueiro com a devida dureza. Por cá, alguém do mundo do direito se mostrou chocado com a pena equivalente à de um assassino. Sempre provincianos!

Anónimo 26.05.2017

São 7 mil milhões que nos pesam todos os anos em capital e juros para pagarmos com os nossos impostos. É só isto que me revolta, falam da bancarrota do Sócrates, se Deus quiser há de chegar a vez dele, mas deste nunca falaram de bancarrota... só porque era de outro partido? Do partido do progresso?

Anónimo 26.05.2017

MAS AMBOS SÃO DOIS GRANDES ARTISTAS!

AAAA 26.05.2017

E O SALGADO NÃO É DIFERENTE. A FAMÍLIA DELE ENRIQUECEU PORQUE COMEÇOU POR ENGANAR UM CLIENTE DA CASA DE LOTARIAS FICANDO COM O PRÉMIO QUE NÃO LHES PERTENCIA... ESTÁ NO SANGUE. SÃO TODOS VIGARISTAS.