Fernando  Sobral
Fernando Sobral 04 de julho de 2017 às 09:43

Donald Trump, o boxe com a CNN e o 4 de Julho

Hoje os Estados Unidos comemoram-se a si próprios. E Donald Trump continua a sua cruzada contra a comunicação social que o critica.

Primeiro foram os jornalistas de um canal televisivo que foram enxovalhados. Agora Trump dignou-se surgir num vídeo onde aparece a espancar uma figura que simboliza a CNN. Nem já os republicanos conseguem evitar o desconforto. No Washington Post, Robert J. Samuelson, escreve: "Este é o Verão do nosso descontentamento. Enquanto celebram o 4 de Julho, os americanos estão doidos com os seus líderes, com o seu governo e uns com os outros. Apenas 20% dos americanos confiam no governo para fazer as coisas certas sempre ou quase sempre. As figuras de comparação são 40% em 2000 e quase 80% no início dos anos de 1960".

No New York Times, Maureen Dowd argumenta: "Trump está isolado na Casa Branca, fora do seu meio, incapaz de definir a história, forçado a interagir com pessoas que não são dele. Até os funcionários que dobram as suas roupas não estão no seu 'payroll'. Antes de ir para Washington DC, Trump estava habituado aos media que podia comprar, vender e com quem pudesse fazer permutas. Não está habituado a este ambiente hostil e isso vê-se no seu estado psicológico que se vai deteriorando. Trump sempre esteve obcecado pelo aspecto - o seu e o dos homens e das mulheres. (…) "Ela tem o melhor corpo", era a sua frase típica sobre Ivanka". No El Mundo, Raul del Pozo acrescenta: "É perigoso ter razão quando os governos e os partidos mentem, quando ser jornalista já é uma profissão perigosa perante o poder. A imprensa está ameaçada. Trump arremeteu ferozmente contra os comunicadores críticos. A tensão entre os diários e o presidente cresce semana a semana. (…) A pós-verdade, como nos anos 30 do século passado, é a estrela do cabaret político".


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