José Matos Rosa
José Matos Rosa 06 de agosto de 2017 às 19:45

Duas perguntas e um exercício para férias

O Governo é sólido? A maioria parlamentar é estável? Chegamos ao período de férias com resposta positiva às duas perguntas.

Mas aproveitemos este mês para fazer um exercício simples de avaliação da realidade. Perguntemos aos que encontrarmos – o que é que o Governo já fez?

 

A resposta (ou falta dela) poderá surpreender os mais fiéis, mas tentemos.

 

O Governo já resolveu o problema do desemprego? Não. Em dois anos, o recuo do desemprego perdeu fôlego e o Governo só conseguiu incentivar a contratação por salário mínimo.

 

O Governo melhorou a saúde dos portugueses? Não. O Governo agravou as condições dos profissionais de saúde com uma gritante falta de meios e recursos (não esqueçamos a chamada de atenção ao mais alto nível que um antigo Presidente da República – socialista – deixou, recentemente, sobre esta matéria).

 

O Governo reforçou a educação pública para melhor preparar os nossos filhos e netos para um futuro de sucesso? Não. Governo e maioria baixaram os padrões de exigência, lançaram as escolas numa instabilidade incompreensível, abriram guerra às instituições de ensino que tinham acordo com o Estado e aumentaram, pela primeira vez em anos, o abandono escolar.

 

O Governo pôs o país a crescer tanto quanto era preciso? Não. No seu primeiro ano, a economia tremeu porque ninguém (leia-se investidores e empresas) confiava nesta solução governativa. No segundo ano, a economia animou, mas ainda menos do que Portugal precisava.

 

O Governo devolveu rendimentos? Não. Dar um euro a mais nas pensões (em vésperas de eleições) e logo acrescentar impostos aos combustíveis e carga no IMI é um truque que só convence os mais distraídos.

 

O Governo preparou as autarquias para receberem mais competências? Não. O Governo rejeitou as propostas do PSD para a descentralização, andou a adiar o tema com conversas vagas e, chegada a hora, o Parlamento nada tinha para votar.

 

O Governo deu condições ao Estado para cumprir as suas funções essenciais de defesa e proteção dos cidadãos? Não. O Governo cortou meios em toda a linha, sem ouvir os apelos dos profissionais. Resultado direto ou não, a verdade é que foi durante o mandato de António Costa que se furtou armamento militar e que os Serviços de Estrangeiros e Fronteiras não conseguem dar resposta à procura.

 

O Governo resolveu o problema da floresta portuguesa? Não. Em dois anos, o primeiro-ministro voltou a dizer o que disse há dez, enquanto ministro da Administração Interna. E fica por compreender o que motivou a Administração Interna a substituir os comandos das estruturas de proteção civil pouco antes do período crítico de incêndios.

 

O Governo deu solução ao crédito malparado dos bancos? Não. Em dois anos, o mesmo Executivo que repetiu que este era um problema de máxima urgência ainda não apresentou mais do que meros relatos de reuniões.

 

O Governo é sólido? Sim. Mas de que nos serve um Governo sólido se nada faz? De que serve a Portugal um Executivo que paralisa o país para não correr o risco de perder popularidade? De que nos vale um primeiro-ministro que só está para as boas notícias e uma equipa de ministros que só aparecem para cortar fitas?

 

A maioria parlamentar é estável? Sim. Mas cortou-se a eito nas funções essenciais do Estado, com cativações que os próprios parceiros reconhecem não terem tido aprovação prévia. E de que nos serve uma maioria parlamentar que, entre o julgamento e o silêncio, escolheu precisamente este último? É notória a ausência de Jerónimo de Sousa e Catarina Martins no debate político.

 

Chegados ao período de férias, não deixo de notar a ironia: sobre o Governo paralisado e a maioria silenciada pouco se fala.

 

Em boa verdade, parece que só o PSD tem conseguido manter os pés no chão. Para que não restem dúvidas: hoje, o PSD está sereno na batalha que trava e firme nos ideais que defende, porque é o maior partido português. Fiscalizamos o Governo e alertamos o país, sempre que a realidade o exige.

 

Somos o referencial de estabilidade de um sistema político acicatado pela opinião (dita e escrita), atiçado pelo discurso demagógico que tanto convém ao Governo, distraído pelas manobras dilatórias da maioria.

 

Secretário-geral do PSD

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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comentários mais recentes
João Secca 08.08.2017

Ó Rosa, não é acordo ortográfico. É aborto ortográfico. Ou açordo ortográfico.

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