Fernando  Sobral
Fernando Sobral 17 de novembro de 2017 às 09:33

E ali ao lado de Angola, o poder muda no Zimbabué

É um tempo de mudanças em África. No Zimbabué, o ciclo do poder parece ter terminado para Robert Mugabe.
No Guardian, Jason Burke analisa: "O fim de 37 anos de reinado de Robert Mugabe no Zimbabué começou com um incomum erro táctico. Para abrir o caminho do poder para a sua mulher, Grace, e a sua crescente e influente facção, o idoso autocrata de 93 anos buscou uma confrontação decisiva com o único homem na antiga colónia britânica para montar um desafio bem-sucedido à sua autoridade - e perdeu. Emmerson Mnangagwa, o antigo vice-presidente cuja longevidade lhe outorgaram a alcunha de 'o crocodilo', foi despojado de forma pouco cerimoniosa do seu cargo há nove dias. (…) A realidade é que ninguém sabe o futuro. Mugabe tem uma sólida reputação de imprevisibilidade e tenacidade. Mas está velho e numa posição fraca. Mugabe é um dos políticos sobreviventes africanos, mas um regresso parece improvável. A era do Camarada Bob parece estar a chegar ao fim."

Já Wilf Mbanga, do Zimbabwean, escreve: "Mesmo que Mugabe tenha ido embora, os zimbabuanos não vão dançar nas ruas. Mugabe foi o único Presidente que uma geração inteira com menos de 40 anos conheceu. Então, porque não dançar? O homem que se acredita possa vir a ser o próximo Presidente, Emmerson Mnangagwa, é tão punho de ferro como o homem que vai substituir. Foi o braço-direito de Mugabe desde o início. Foi o ministro encarregado dos serviços de informação ao tempo dos massacres de Gukurahundi". No Independent, Kim Sengupta refere, por seu lado: "Que vai acontecer? Grace Mugabe - conhecida como Gucci Grace pelos críticos dos seus extravagantes gastos - e o seu marido enfrentam acusações de corrupção e o Presidente enfrentou sucessivas acusações de abuso de direitos humanos. A alternativa será trazê-los a julgamento com o risco de divisões políticas e tribais que podem redundar em violência".
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