Luís Mira Amaral
Luís Mira Amaral 10 de setembro de 2017 às 22:22

É marketing político dizer que a austeridade acabou

Como temos visto, ela [a austeridade] tem continuado em modelo "low cost" com o aumento dos impostos indirectos, as fortes cativações nos serviços públicos e a travagem do investimento publico.
Para evitar a bancarrota em 2011, o governo do PS teve que negociar com a troika um duro Programa de Ajustamento. Com o acesso ao financiamento externo cortado e tendo ficado financeiramente dependente da troika, a austeridade era fatal e inevitável.

É muito diferente a situação actual em relação àquela que o governo PSD-CDS teve de gerir em 2011 e a austeridade pode ser actualmente suavizada. Em todo o caso, com os níveis elevadíssimos em relação ao PIB da despesa publicada carga fiscal e das dívidas pública e privada será marketing político dizer que a austeridade acabou. Como temos visto, ela tem continuado em modelo "low cost" com o aumento dos impostos indirectos, as fortes cativações nos serviços públicos e a travagem do investimento publico.

Também as actuais taxas de crescimento do PIB não nos permitem entrar em euforias e dizer que a pagina da austeridade está definitivamente virada.Com efeito, o crescimento de 2,9% do PIB no segundo trimestre de 2017 em relação ao período homologo do ano passado, o "tal mais elevado do século", é fruto do chamado efeito base ligado ao fraco crescimento no segundo trimestre de 2016 e isso irá ver-se já no fim deste ano e em 2018 com uma clara desaceleração em termos homólogos, uma vez que no final de 2016 o crescimento tinha acelerado. Essa desaceleração também já é visível no crescimento em cadeia.

Por outro lado, o emprego tem crescido mais do que o produto, o que leva a que a produtividade esteja a ter variações negativas. Sem reformas estruturais que alterem estas tendências, não haverá forte crescimento sustentável essencial para reduzir significativamente em termos do PIB os nossos níveis de endividamento.

O crescimento que estamos a ter é assim conjuntural e não fruto duma transformação estrutural duradoura e sustentável da economia.
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Anónimo 11.09.2017

Para este não há austeridade. Com reforma milionária devia estar calado. Povo sofre.

A tua vergonha é igual à tua ética : NENHUMA ! 11.09.2017

Este gajo estaria calado, se tivesse um pingo de vergonha na fuça.
O problema é que não tem, apesar de ser um dos que auferem maiores reformas, reformas que explicam - essas sim - o enorme desequilíbrio das contas da CAIXA GERAL DE APOSENTAÇÕES.

Anónimo 11.09.2017

Não roubam salários? Então expliquem-me como é que continuo a ganhar menos. Uns roubaram. Estes continuam. A única diferença é que mentem com todos os dentes. Austeridade acabou? É capaz para algum dos funcionários do costume. Para o povo está tudo na mesma. Devolvem de um lado roubam do outro.

Gajo do Tinder 11.09.2017

Já dizia o outro que a realidade tirará o tapete (e o pio) à ideologia, mais cedo ou mais tarde!

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