Pedro Fontes Falcão
Pedro Fontes Falcão 27 de novembro de 2017 às 20:40

É necessário carregar no acelerador…

Na semana passada, o Banco de Portugal publicou dados de 2016 que refletem uma redução do endividamento e um aumento da rentabilidade das empresas não financeiras privadas portuguesas.

É uma boa notícia. Portugal tem um problema grave que consiste num excessivo endividamento das empresas em simultâneo com o dos particulares e do Estado (uma tripla e triste coincidência). Mas pelo menos no Estado e nas empresas está a haver melhorias, embora lentas. E olhando só para as empresas, vemos que a rentabilidade também subiu.

 

Estas melhorias indicam que as empresas estão melhores, mas admito que também reflita o facto de várias das piores empresas terem entretanto falido. Ou seja, a população de empresas alterou-se, o que ajuda a melhorar os indicadores.

 

Apesar destes resultados, o aumento de capital de muitas empresas ainda é necessário. O que nos coloca uma questão importante que estes dados agora divulgados não nos dizem (nem era esse o seu objetivo): é que muitos dos donos das empresas também estão muito endividados. Ou seja, há quase como se fosse um duplo alavancamento destas entidades, o que dificulta mais a resolução do excessivo endividamento das empresas.

 

Existe muito capital disponível para investir em empresas via medidas de apoio ao investimento do anterior e do atual Governo e via fundos formais e informais.

 

Contudo, os novos investidores deparam-se com dificuldades. Por um lado, por vezes as empresas acolhem uma parte "não produtiva" das famílias dos seus proprietários, que estes não querem abdicar. Por outro lado, é necessária uma mudança cultural em que os empresários têm de perceber que mais vale a pena partilhar a propriedade e eventualmente a gestão com outros e ter uma parte de uma empresa maior do que ficar orgulhosamente só numa empresa mais pequena, a passar por mais dificuldades que até podem vir a ser fatais. Infelizmente, sinto isso nalguns trabalhos de consultoria.

 

Foram de qualquer modo boas notícias. Pode ser que motivem mais empresários a carregarem no acelerador para abrirem o capital das suas empresas e a apostar mais em investimentos em Portugal.

 

Gestor e docente convidado do ISCTE-IUL

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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