Fernando Ilharco
Fernando Ilharco 14 de dezembro de 2017 às 21:52

E o efeito é não conseguir 

Quando acreditamos não conseguir isto ou aquilo, atingir estes ou aqueles objectivos, pensamos geralmente que essa crença é uma consequência, de facto, se não conseguir fazer o que está em causa.

Às vezes tenta-se, as coisas correm mal e conclui-se que se tinha razão - não conseguir parece ser a causa de acreditar que não consigo.

 

Mas as ciências comportamentais sugerem que um outro mecanismo pode estar em funcionamento: o acreditar não conseguir pode ser o que está a causar o não conseguir. Não acredito e isso leva a que actue não acreditando, o que torna as coisas mais difíceis de acontecer. A causa é o que acreditamos. O que conseguimos ou não é o seu efeito.

 

O acreditar que faz a diferença, evidentemente, não é uma questão de personalidade ou de teimosia, mas de trabalho e de preparação. Acreditando, agimos melhor. A testosterona, a hormona da confiança e da competição, sobe e o cortisol, a química do stress, estabiliza em níveis adequados a uma boa atenção. Pensamos mais depressa e temos mais energia.

 

"É muito difícil… não vou conseguir", isto é o pior. Se acreditarmos que conseguimos, e sobretudo se nos prepararmos e esforçarmos, temos possibilidade de atingir o que queremos. Se não acreditarmos é muito difícil. A mente predispõe-nos quer para ganhar quer para perder.

 

Sabe-se hoje que nem a personalidade, a mentalidade ou as capacidades de uma pessoa são fixas; podem mudar a vida toda. Quem sabe, por isso, quantas vezes o que conseguimos ou não conseguimos não terá ficado a dever-se não às nossas capacidades e ao nosso trabalho, mas ao que acreditávamos ou não, de facto, ser possível.

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