António Moita
António Moita 01 de outubro de 2017 às 18:00

E quando os outros não pensam como nós

A casa de Medina viu escrever mais sobre ela do que todas as outras casas que falta ocupar em Lisboa, as sondagens de Rui Moreira tiveram mais tempo nas televisões do que o que houve para debates sobre a cidade.

Ao escrever estas linhas ainda não sei qual será o resultado das eleições autárquicas. Mas para o que quero dizer não é muito relevante saber quem ganhou e quem perdeu.

 

Há sinais do que se irá passar. A abstenção continuará muito elevada, os movimentos independentes são cada vez mais representativos, a disciplina partidária já não é o que era e depende dos interesses do momento, as sondagens deixaram de ser uma referência e passaram a ser, além de um negócio não regulado, uma arma de arremesso de uns contra os outros, os casos mediáticos conseguiram sobrepor-se à discussão das ideias.

 

A casa de Medina viu escrever mais sobre ela do que todas as outras casas que falta ocupar em Lisboa, as sondagens de Rui Moreira tiveram mais tempo nas televisões do que o que houve para debates sobre a cidade, isto para falar apenas das principais cidades.

 

Os partidos estarão neste momento a fazer a contabilidade dos ganhos e das perdas. Como sempre haverá mais vencedores do que vencidos. O foco estará uma vez mais nas consequências internas e na continuidade, ou não, das lideranças nacionais e locais.

 

As eleições autárquicas são aquelas que mais gente mobilizam. Pela quantidade de órgãos a eleger, pelo conhecimento mais próximo que temos dos candidatos e pelo contacto com os problemas da terra onde vivemos. O país precisa de quem esteja disposto a arregaçar as mangas, a lutar por aquilo em que acredita, a trabalhar em prol da sua comunidade, a ser incómodo e intransigente com os poderes.

 

Apenas uma ínfima parte dos candidatos irá ser eleita. A maioria ficará pelo caminho e ninguém se voltará a lembrar deles nos próximos quatro anos. Fica o desafio. Continuem, não desistam. Encontrem outras ocupações no vosso tempo livre, estabeleçam novos objetivos, façam ouvir a vossa voz. A democracia precisa. O país agradece. Mesmo que não pensem como eu.

 

Jurista

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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