Camilo Lourenço
E depois, vão pedir a reestruturação da dívida?
02 Julho 2012, 23:30 por Camilo Lourenço | camilolourenco@gmail.com
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Há coisas que aprendi muito antes de ter pegado num livro de Economia. Uma delas é que o excesso de endividamento pode ser o coveiro do desenvolvimento.
Há coisas que aprendi muito antes de ter pegado num livro de Economia. Uma delas é que o excesso de endividamento pode ser o coveiro do desenvolvimento. Porque qualquer aumento do serviço da dívida (provocado por um aumento dos juros e/ou diminuição da riqueza) coloca a economia num beco sem saída: quanto mais se paga para a dívida, menos sobra para outras funções do Estado. E mais altos são os impostos.

É por isso que cada vez menos entendo o que vai sendo defendido por aí: a ideia de que devemos deixar "deslizar" o défice de 4,5% para 2013. Como défice significa mais despesa do que receita, não o reduzir implica aumentar o endividamento do Estado: em 2 mil milhões (valor aproximado da derrapagem já detectada) se não se fizer mais nada em 2012. Ou seja, uma parcela maior da receita do Estado terá de ser canalizada para pagar o que estamos, agora, a pedir emprestado. Por outras palavras, se não tivermos cuidado, daqui a dois anos a dívida pública estará acima dos 120% do PIB. E quando esse valor for atingido, os defensores do abrandamento da austeridade vão gritar "Culpa do Governo, que não corta despesa". E o pior é que não ficarão por aí. Porque a seguir vão pedir a reestruturação da dívida. Com o argumento de que a despesa do Estado com juros é tão elevada que tolhe o crescimento económico (impostos elevados).

Dir-me-ão que a reestruturação é uma solução tão irresponsável que só os extremistas a proporão. Não. Basta que umas quantas cabeças respeitáveis (com ar de "pais da pátria") a defendam, para os mais sensatos se acobardarem, com receio da acusação de que "estão a destruir o Estado social". Vai uma aposta?


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