Camilo Lourenço
Camilo Lourenço 28 de junho de 2012 às 23:30

É tão fácil calar os alemães...

Os alemães continuam a ser os maus da fita. Na Europa não falta quem lhes aponte o dedo por nada fazerem para salvar o Euro.
Os alemães continuam a ser os maus da fita. Na Europa não falta quem lhes aponte o dedo por nada fazerem para salvar o Euro. Estas acusações, como já comentámos, são injustas. Ainda ontem se viu porquê. Em entrevista ao "WSJ", Wolfgang Schäuble, o ministro das finanças alemão admitiu o impensável: a Alemanha aceita partilhar o custo de financiamento da zona Euro antes de haver solução institucional (alteração do Tratado, que levaria anos). Basta um acordo de cedência de soberania orçamental. Leia-se, que as decisões em matéria de finanças públicas sejam tomadas em Bruxelas, por uma espécie de ministro das finanças europeu...

Mas o "odiado" Schäuble foi mais longe. Admitiu que as "firewalls" do Euro (EFSF e ESM) podem ser usadas para intervir no mercado de dívida, evitando que os países sob desconfiança fiquem sem financiamento. Os países em causa só têm de fazer um pedido expresso e terem em implementação reformas estruturais.

Para os que fazem do insulto aos alemães uma arma política, a intervenção de Schäuble foi um murro no estômago que os deixou sem argumentos (alô Tó Zé...?) Querem Eurobonds? Pois bem, comprometem-se a ceder o poder de decisão sobre questões orçamentais. Não gostam (como admitiu Jerónimo de Sousa no debate parlamentar desta semana)? Temos pena: quem quer direitos sem aceitar obrigações, coisa muito corrente no PCP, BE (e até no PS e na Direita), não merece solidariedade. Mas podia ser de outra maneira? Os alemães (e não só) já se "queimaram" uma vez, quando aceitaram na moeda única gente que não devia lá estar. Alguém lhes pode exigir que façam figura de parvos uma segunda vez?

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maria 06.07.2012

Honestidade intelectual é o que falta...
mas as brincadeirinhas francesas para inglês ver estão a dar as últimas...as pa
tetices do Seguro não colam e ainda bem...começou um caminho novo,lento,doloroso...mas este novo tempo não regressa ao passado.

Ruy MENDES-FRANCO 06.07.2012

SEMPRE4 CONSIDERERI ESTA TROCA DE COMENTÁRIOS COMO UM MODO DE DISCUSSÃO EXTRÊMAMENTE ÚTIL, OPONDO ARGUMENTOS DE UM LADO CONTRA ARGUMENTOS DO OUTRO, NINGUÉM TENDO A CIÊNCIA INFUSA. É, SE BEM QUE UMA MANEIRA MÍNIMA, ASSIM QUE SE FORMA A CULTURA.
MAS QUE VEJO? CONVERSA DE XAXAS, NA MAIOR PARTE METENDO AO BARULOHO GENTE QUE NÃO TEM A MÍNIMA IDEIA DO QUE ESTÁ A DIZER OU DERIVANDO PARA A POLITICALHA.
RESPEITEM O ESPÍRITO DE UMA TROCA DE IMPRESSÕES ENTRE GENTE DE BEM E RELATIVAMENTE BEM EDUCADA !

Francisco 06.07.2012

Isto já cheira a vingança. Então vamos à história para atacar os alemães ? Eu pergunto: - Como se formaram os impérios ? Recordo, o império romano, o império otomano, o império inglês, o império francês,o império americano, o império soviético, o império chinês, o império espanhol e para acabar o império português. Já se sabe que foram construídos através da conquista. Nessa conquista, estavam as organizações humanitárias ? Os direitos do homem ? e já agora o SOS racismo ?
Calai-vos com esse argumento da loucura da 2ª guerra mundial. Actualmente, os povos que foram conquistados, vêm também com esse argumento de acertar contas com a história. No nosso caso particular, até já chateia ouvir os brasileiros e os africanos sobre a exploração colonial. Os africanos particularmente, até achamn que lhes têm que lhes dar "cama. mesa, roupa lavada, subsídios e casas, porque segundo eles, é para compensar os 500 anos de colonialismo.

Anónimo 06.07.2012

Casa onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão. Não me admiro. A maior parte dos nossos antepassados vieram a tocar o burro ali dos lados da Albânia e da Roménia. Isso resultou num País de gente ignorante, invejosa, ociosa e amiga de comer à custa dos outros. Esquecemos-nos de cumprir com as nossas obrigações para com esta Europa que aceitou incluir-nos no seu rol de amigos. Quer dizer, trabalhar e poupar, vivendo às nossas custas com a cabeça levantada, para não ficar na dependência dos outros. Um funcionário do Sr. Américo Amorim tem que viver com o produto do seu trabalho e não aspirar a viver à rica. ´a lei da vida que os Portugueses parecem desconhecer. Pior para nós

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