Fernando  Sobral
Fernando Sobral 10 de maio de 2017 às 09:47

Emmanuel Macron ganhou. E agora, o que se segue?

Emmanuel Macron está prestes a tomar posse como Presidente francês. Mas agora começam os seus mil e um trabalhos.
Como designar um primeiro-ministro e preparar as legislativas. E, claro, dar resposta às aspirações dos franceses. Roger Cohen, no New York Times, escreve: "Não é apenas por ter derrotado, em Marine Le Pen, as forças do nacionalismo xenófobo exploradas por Donald Trump. É que ele ganhou e é um vigoroso apoio para a doente União Europeia, reafirmando a ideia de Europa e o lugar desta num mundo que precisa da sua força e valores. Uma Europa federada é o fundamento da estabilidade e prosperidade da Europa pós-guerra. Oferece aos mais jovens a melhor forma de concretizarem a sua promessa."

Na revista Prospect, Andrew Knupp questiona: "Emmanuel Macron governará ou apenas reinará? Os poderes do Presidente, de acordo com a Constituição da V República, de 1958, são significativos, mas insuficientes para o governo que escolher. Para fazer isso precisa do suporte de uma maioria parlamentar, que ele pode ou não ganhar nas eleições legislativas de Junho. O melhor guia para os poderes presidenciais é a experiência de François Mitterrand entre 1986 e 1988 e de Jacques Chirac entre 1997 e 2002, onde coabitaram com uma maioria hostil no Parlamento. Em ambos os casos o Presidente nomeou um primeiro-ministro e os outros ministros sobre proposta daquele. Mas como o governo é responsável perante o Parlamento, ele teve de nomear um primeiro-ministro indicado pela maioria hostil - e a Constituição não dá ao Presidente o direito de demitir o primeiro-ministro." Uma questão interessante. Já Richard Werly, no Le Temps de Genebra, afirma: "Se ele quer convencer, o Presidente eleito deve continuar a defender uma ruptura respeitosa. Ruptura de estilo com o seu antecessor. Ruptura de geração. Ruptura política com o sistema dos partidos que ele se atreveu a empurrar."


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