Luís Todo Bom
Luís Todo Bom 04 de dezembro de 2017 às 20:35

Empreendedores e gestores empresariais 

A teoria clássica distingue os empreendedores dos gestores empresariais, com base, essencialmente, nos seus diferentes perfis de risco: os gestores têm um perfil de aversão ao risco, os empreendedores aceitam e convivem com o risco.

Os empreendedores criam novos activos empresariais próprios, os gestores preocupam-se, exclusivamente, com a optimização da performance obtida em activos alheios.

 

A formação académica e intelectual segue, também, diferentes caminhos, com os empreendedores a aprenderem como construir novas empresas e os gestores a dominarem as ferramentas das diferentes funções de gestão, para a constante melhoria dos seus indicadores de rentabilidade.

 

Mas este modelo clássico ainda é válido?

 

Numa época em que as empresas têm de conviver com inovações constantes, nos produtos, nos processos e no posicionamento, pode manter-se esta separação em termos de perfis de risco?

 

Podem os gestores das empresas modernas manter uma atitude de aversão ao risco, conduzindo os destinos das suas empresas nos moldes tradicionais?

 

Não. Este modelo clássico já não é aplicável às empresas modernas que actuam em ambientes cada vez mais competitivos.

 

Aliás, os modernos livros de gestão incluem um sem-número de exemplos de empresas que desapareceram do mercado por não terem compreendido as alterações provenientes da inovação tecnológica, mantendo-se exclusivamente no seu negócio tradicional.

 

Nas empresas modernas, os gestores têm de ser, simultaneamente, gestores do negócio tradicional, optimizando os activos em exploração corrente e empreendedores, procurando desenvolver novas áreas de negócio, para novos mercados e novos segmentos de clientes, com a adopção das tecnologias mais inovadoras.

 

Têm de adoptar um modelo de gestão ambidestra, com preocupações de inovação incremental (fazer melhor), nos negócios tradicionais da empresa e de inovação radical (fazer diferente), em novas áreas de negócio, dentro do "core business" da empresa.

 

Têm de aceitar que os processos de inovação incremental fazem parte do dia-a-dia da gestão e que não são suficientes para manter a competitividade da empresa.

 

Só os processos de inovação radical, criando produtos ou processos, únicos, valiosos para os clientes e difíceis de imitar, é que promovem o constante posicionamento competitivo da empresa.

 

As faculdades de gestão têm de preparar os gestores do futuro para esta realidade, integrando a "gestão da inovação" em todos os seus programas, numa óptica de empreendedorismo e de gestão.

 

Os modelos e processos de inovação radical, com a utilização de tecnologias disruptivas devem fazer parte do currículo dos cursos de gestão modernos, para que os gestores possam, no futuro, trabalhar, com à-vontade com estes conceitos nas empresas que vão gerir.

 

Receio bem que algumas das nossas empresas emblemáticas não estejam preparadas para este desafio.

 

Mas, felizmente, ainda vamos a tempo.

 

Gestor de Empresas

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