Pedro Fontes Falcão
Pedro Fontes Falcão 07 de novembro de 2017 às 19:53

Erros de negociação na questão da Catalunha 

As únicas consequências garantidas até agora do conflito entre Espanha e o governo catalão são a divisão clara da sociedade catalã, com o aumento do ódio entre as duas partes, e a fuga de várias empresas da Catalunha para outras regiões de Espanha.

Vários erros de negociação levaram a este imbróglio. Alguns deles começaram pelo governo espanhol, que não soube preparar-se e reagir atempadamente às atitudes do governo e da assembleia catalã ao longo do tempo. Foi deixando a situação evoluir de tal modo que quando reagiu já tinha menos "armas" para usar, e deixou que os catalães independentistas ganhassem alento perante o que parecia, para muitos, ser um caminho para a independência que o governo espanhol não iria conseguir travar (depois de o comboio estar em grande velocidade, é mais difícil pará-lo).

 

Os conflitos podem ser resolvidos pela satisfação dos interesses das partes envolvidas, recorrendo às leis e aos direitos, ou pelo poder e uso da força que se podem sobrepor aos direitos e aos interesses. Enquanto durante anos se foram tentando satisfazer interesses, dando uma crescente autonomia à Catalunha, mais recentemente o governo catalão tentou abordar o conflito pela via legal e também do poder através de manifestações e reivindicações. O governo espanhol refugiou-se na via legal, que lhe dá enorme vantagem pois tem muito a seu favor, julgando que seria suficiente. Mas esqueceu-se do uso do poder pelos independentistas e por si próprio, recorrendo depois a ele tardiamente para impor a lei, o que permitiu que mediaticamente ficassem mal vistos no caso da polícia a agredir catalães.

 

O governo espanhol não se poderia esquecer de que numa tentativa de independência, geralmente o país que pretende a mesma não o deverá conseguir seguindo todos os trâmites legais (que, aliás, habitualmente protegem o país soberano), mas tendo de usar a força para o conseguir.

 

Puigdemont falhou contudo ao fugir para a Bélgica, pois muito do poder usado pelos independentistas de se oporem aos direitos e à  legislação vinha da sua coragem, e a fuga foi vista por muitos como um ato de falta de coragem, desmotivando os independentistas. A acrescer, as atuais sondagens não lhe são favoráveis.

 

Mas como diria o outro, prognósticos só no final do jogo…

 

Gestor e docente convidado do ISCTE-IUL

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

A sua opinião2
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
comentários mais recentes
Pierre Ghost Há 1 semana

Nada farà...caso governem na legalidade...
Se começarem novamente com a diarreia do referendum....etc...155 novamente !!!

5640533 Há 1 semana

Quero ver o que fará Rajoy se os indepentistas ganharem as eleições.