André  Veríssimo
André Veríssimo 19 de janeiro de 2017 às 09:42

Esconde Theresa May um Donald Trump?

Theresa May, que na terça-feira fez um discurso sobre o Brexit, e Donald Trump, que toma posse na sexta-feira como Presidente dos Estados Unidos, são dois protagonistas de uma nova ordem. E estão alinhados?

Dan Roberts escreve no The Guardian sobre as similitudes no discurso e ideário político. "Na terça-feira, Theresa May prometeu quatro vezes tornar o Reino Unido grande outra vez, e cada uma delas deu-me arrepios e trouxe-me à memória momentos da cobertura da eleição de Donald Trump." "O discurso de Theresa May soou como Trump. Só faltou falar num muro."

No Financial Times, Martin Wolf considera que Theresa May ataca no seu discurso os princípios da cooperação e comércio internacional, representados pelo Fórum Económico Mundial. "É um bom credo. No entanto, Theresa May, a primeira-ministra conservadora, acusa os que nele acreditam de serem 'cidadãos do mundo', que são cidadãos de lado nenhum." "A política do nacionalismo ressabiado não é apenas algo que surge de baixo. É a táctica dos que procuram o poder." Como Trump. Líderes que contam uma história que "justifica transformar uma democracia liberal numa ditadura plebiscitária". E que para a sustentar cultivam inimigos, a guerra. Para quem "a verdade é o que for conveniente".

Vista da América, a Europa está particularmente vulnerável a este novo nacionalismo. É essa a opinião de Sebastian Mallaby, deixada no Washington Post: "Ironicamente, todos os factores de pressão que são usados para explicar a eleição de Trump são muito mais evidentes do outro lado do Atlântico: crescimento anémico, fracas perspectivas para os trabalhadores, contestação contra os emigrantes, descontentamento com as elites." Dá-nos uma ideia do tamanho do desafio que os actuais líderes europeus têm pela frente para manter a coesão na UE.
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Francisco António 19.01.2017

A PM do Reino Unido anda "azeda" e nervosa ! Para aderir à UE foi ouvido o Parlamento. E para sair também terá que ser ouvido ! Sem Parlamento não há democracia e ela tem raízes ( e que raízes) na vida democrática. Portanto há que aguardar...

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