Fernando  Sobral
Fernando Sobral 27 de Outubro de 2016 às 09:43

Espanha festeja. Não vai ter eleições. Vai ter Governo

Depois de quase um ano de eleições e turbulências, Mariano Rajoy vai conseguir ver aprovado o seu Governo no Parlamento. Há ainda dúvidas. Mas o tempo urge.

De fora já veio o recado da Comissão Europeia: a Espanha precisa de um novo OE, que tem de ter cortes de 0,5% do PIB, ou seja cerca de 5500 milhões de euros. Tal como mandou uma carta a Portugal, também o fez a Espanha, com as suas "sugestões", porque não está convencida que o OE de 2017 de Madrid satisfaça os objectivos. Lluis Foix, no catalão La Vanguardia, olha para a política espanhola e diz: "Está previsto que haverá investidura e novo Governo antes do fim do mês. O preço de 10 meses de devaneios à custa dos votantes será elevado. (…) Os largos silêncios de Rajoy, o seu imobilismo táctico, deram resultados a curto prazo. Mas o mais importante não é a investidura, é o que virá depois. (…) O momento é muito delicado e por isso é hora de fazer política com líderes que sejam capazes de ler os sinais do tempo e não se preocupem apenas com as próximas eleições e as contingências do curto prazo".

No Público, David Torres é duro: "O principal assunto que (o PSOE) debateu foi a abstenção e entre isso e a ressaca do que carregavam o debate transformou-se numa reunião de alcoólicos anónimos. (…) Os líderes do PSOE levam décadas abstendo-se de qualquer tentação de progresso ou justiça social. Absteram-se do marxismo, do socialismo, da democracia e até do senso comum". No El Mundo, Federico Jiménez Losantos, olha para a crise global: "A Espanha está débil, com uma casta dirigente corrupta e um monte de golpistas de ocasião que assaltaram as instituições, mas que é mais forte que qualquer Estado que queira erguer-se sobre os escombros. O que se pede é que não se desdramatize a destruição do Estado, a liquidação da democracia e um horizonte de conflitos sociais sem fim".


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