Tiago Freire
Tiago Freire 17 de outubro de 2017 às 20:25

Esqueça o meltdown, primeiro vem o melt-up 

Donald Trump, que durante a campanha eleitoral não perdia uma oportunidade para atacar os interesses de Wall Street, rejubila agora com cada máximo das bolsas norte-americanas. E o seu twitter não tem parado de celebrar.

No meio de tanta euforia, não falta quem fale do regresso da "exuberância irracional", celebrizada por Alan Greenspan nos anos 90. Mas há também quem comece a falar, de forma cada vez mais insistente, na possibilidade de um fenómeno, o melt-up dos mercados, nomeadamente de acções. Ao contrário do habitual meltdown, que pode assumir a forma de um "crash" ou de uma queda longa, o melt-up é um período curto de fortes ganhos, que surge na sequência de um longo "bull market" como o que os EUA têm vivido. O efeito é potenciado por investidores que reforçam posições por não quererem ficar de fora de um novo e pronunciado arranque, mesmo que os fundamentais digam para ter cuidado. O Bank of America estimou, em 2016, que não estar exposto no momento do melt-up pode significar abdicar de cerca de um quarto dos ganhos totais de um "bull market". O problema é que a seguir ao melt-up, se tal vier a existir, pode vir um meltdown. Ou seja, como muitas vezes no mercado, depende de os investidores estarem dispostos a pagar para ver.

 

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