António Moita
António Moita 02 de julho de 2017 às 18:41

Está tudo preso por arames

A máquina do Estado dispõe hoje de melhores condições de funcionamento do que possuía no início do século. Mas no essencial pouco mudou.

Depois de dias de forte comoção o País regressa à normalidade. Mas regressa de forma diferente. Onde ontem havia um País esperançoso, mais confiante e em pleno crescimento, hoje temos desconfiança nas lideranças e na capacidade de ver o Estado que pagamos responder a necessidades básicas de toda a comunidade.

 

A tragédia de Pedrogão trouxe à luz do dia um incontável número de problemas que normalmente fazemos de conta que não existem. As "vacas gordas" trouxeram muito investimento para Portugal. Algum absolutamente necessário outro nem tanto. Parte bem investido outro nem tanto. Muito decidido de forma transparente outro nem tanto. Tanto investimento deveria ter permitido reformar as empresas e o Estado. Alterar processos, criar redes, partilhar e otimizar recursos eram objetivos a atingir. Muitas empresas conseguiram fazê-lo. O Estado, em quase todas as áreas, não aproveitou a oportunidade.

 

A máquina do Estado dispõe hoje de melhores condições de funcionamento do que possuía no início do século. Mas no essencial pouco mudou. Dá ideia que em vez de informatização houve apenas uma automatização dos serviços, isto é, o Estado dispõe de um arsenal de equipamento de qualidade mas não sabe ou não quer trabalhar com ele.

 

Passadas duas semanas sobre a morte de 64 de pessoas percebemos que o Estado não é capaz de responder a situações de crise. O desnorte governativo que temos sentido mina fortemente a confiança nas instituições. Se a isto acrescentarmos a proverbial desconfiança na classe política podemos estar certos que o Estado, que deveríamos ser todos nós, é uma entidade cada vez mais distante das pessoas e de cuja utilidade todos duvidamos. E quando assim é bem podem inventar nova legislação, criar comissões de inquérito, atirar dinheiro para cima do problema. Todos sentimos que quando alguma desgraça voltar a acontecer as respostas não serão melhores. Oxalá me engane. E que no final da história o responsável não seja apenas o eucalipto.

 

Jurista

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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mais votado Anónimo 02.07.2017

Como é que não houve um único avião a combater o fogo de Pedrogão? E só 3 helis e ainda por cima a dividirem-se entre este fogo e o de Góis? Será que por causa das cativações não houve dinheiro para alugar os aviões 2 semanas mais cedo, quando se sabia que iam estar mais de 42º?

comentários mais recentes
virato.apaulada 04.07.2017

Incêndio Pedrógão Grande.
Enquanto as hienas aguardam o repasto e esperam substituir o Diabo pelo Inferno, cairão no esquecimento as notícias que nos dão esperança. (Frase de Carlos Esperança).
Notícias de hoje: Portugal emite dívida com juros ainda mais negativos, sendo as taxas mais baixas de sempre.
Passos Coelho – Não tinha de se desculpar da informação errada do candidato do PSD à Câmara de Pedrógão, sobre o falso suicídio, devia envergonhar-se de o ter anunciado no plural, de inventar os motivos e de se apropriar da tragédia para fins eleitorais. Por: Carlos Esperança.
http://viriatoapedrada.blogspot.pt/2017/06/incendio-de-pedrogao-grande.html

Anónimo 03.07.2017

A "máquina" do Estado foi muito maltratada pelo Sócrates e ainda mais pelo Coelho. Estamos a colher os frutos.

Anónimo 03.07.2017

Os carros que arderam na estrada 236 tinham os motores e as jantes derretidas. São preciso cerca mil graus centigrados para isto acontecer. Penso que a agua dos aviões se tera convertido em vapor e não apaganado o fogo devidamente. Ai ignorancia burrica.

Anónimo 03.07.2017

Ao referido podia acrescentar a decisão de substituirem em Maio todos os responsaveis (boys) da proteção civil. Uma coisa que devia(?) ser feita no inicio do inverno para dar tempo de adaptação, foi feita um mês antes da epoca dos incendios. Tambem se poderia questionar o que foi feito das promessas do governo no verão de 2016 de medidas a implementar para o verão de 2017. Os serviços prestados pelo Estado estão todos no fio da navalha, eu como cliente do Metro que pago passe mensal sei do que falo, a semana passada estive parado mais de 2 horas num unico dia (1 de manhã + 1 à tarde) por problemas tecnicos, as paragens são constantes. Que saudades tenho do Metro nos tempos do governo anterior em que as unicas paragens do serviço eram nos plenários dos "trabalhadores".

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