Álvaro Nascimento
Álvaro Nascimento 05 de Dezembro de 2016 às 19:12

Estabilizar o sistema financeiro. À procura de alternativas!

Para a generalidade das PME, os bancos continuam a ser o veículo de investimento coletivo preponderante, senão mesmo o único. Por manifesta escassez de alternativas e sem acesso a outras soluções institucionais.

A FRASE...

 

"PR elege como 'prioridade nacional' a estabilização do sistema financeiro."

 

Margarida Gomes, Público, 27 de Novembro de 2016

 

A ANÁLISE...

 

O sistema financeiro português é dominado pelo setor bancário. Não obstante a perda de importância recente, os bancos acumulam ativos representativos de 272% do PIB. Em 2010, esse valor era de 205%. O crédito bancário ao sector não financeiro passou de 78,5%, para 43,6% do PIB, no mesmo período.

 

Para a generalidade das PME, os bancos continuam a ser o veículo de investimento coletivo preponderante, senão mesmo o único. Por manifesta escassez de alternativas e sem acesso a outras soluções institucionais - como o mercado de capitais, por exemplo -, o financiamento do investimento continua irremediavelmente a passar pelo crédito bancário. A "Estrutura de Missão para a Capitalização das Empresas" já enunciou esta excessiva dependência e recomendou que as empresas fossem libertadas deste jugo, para a economia crescer.

 

Do outro lado, o desenvolvimento da União Bancária continua em franco progresso. O novo quadro regulatório aplicável ao sector contém importantes pistas e alertas para as empresas. Partindo da premissa enraizada de que existe excesso de capacidade instalada, assistiremos à redução da importância dos bancos no financiamento da economia. Ao mesmo tempo, as maiores exigências de fundos próprios e os mais apertados critérios de avaliação de risco - passando pelo novo mecanismo de "bail-in" - convergem para que o crédito seja mais caro.

 

Em suma, espera-se que o crédito bancário à economia decresça (em termos relativos) e o seu custo aumente. Paradoxalmente, será tanto mais oneroso quanto se mantiver um cenário de muito baixas taxas de juro. Posto tudo isto, ao país não basta estabilizar o sistema financeiro e, em particular, os bancos. É fundamental inovar, encontrando novas fórmulas e veículos de investimento coletivo; alternativas que permitam às empresas estruturas de financiamento mais consonantes com o risco e a rendibilidade dos modelos de negócio.

               

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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