Jorge Fonseca de Almeida
Jorge Fonseca de Almeida 07 de novembro de 2017 às 22:49

Estratégia empresarial

A estratégia empresarial assenta o seu pensamento na mais antiga, estudada, estruturada e praticada ciência, a da guerra. Inclusivamente, a palavra estratégia, de origem grega, significa, como se sabe, a arte do general.

Naturalmente, a estratégia militar foca-se na canalização da violência organizada para a obtenção de fins políticos, enquanto a estratégia empresarial se situa no campo de batalha do mercado e pela conquista de clientes e de negócio.

 

Não falamos aqui de guerra económica, um outro campo de confronto entre Estados e que tem como armas de maior destruição o embargo económico, como o que há anos é usado pelos Estados Unidos contra Cuba, as sanções económicas, como as que a União Europeia aprovou contra a Rússia, mas também o controlo de matérias-primas essenciais ou de instituições-chave como o FMI ou o Banco Mundial, ou a nível mais modesto a imposição de tarifas aduaneiras ou regras de acessos aos mercados.

 

Falamos aqui da genuína competição empresarial pelo crescimento dos volumes de negócio à custa das quotas de mercado dos competidores.

 

Se as Forças Armadas são dirigidas pelo seu general, a empresa é liderada pelo seu CEO. Estes dirigentes são importantes no rumo dos acontecimentos. Que características devem ter para assegurar a vitória? Sun Bin, célebre estratega chinês que viveu 300 anos antes de Cristo, definiu esses requisitos da seguinte forma: "Os generais têm três traços essenciais. O primeiro é denominado confiança, o segundo, lealdade e o terceiro, ousadia."

 

Lealdade a quem? Sun Bin responde aos governantes. Quem nas empresas modernas devem ser os governantes? Naturalmente, os representantes das várias partes interessadas: acionistas, trabalhadores, comunidade envolvente, clientes e fornecedores. Um bom gestor deve então lealdade aos seus governantes e responder perante eles.

 

Confiança em quê? Nas recompensas, replica Sun Bin. Significando recompensas tantos positivas como negativas. Assim na empresa moderna os dirigentes devem ser recompensados por bons resultados, mas também punidos pelos maus. Se as recompensas não se materializam, nomeadamente as punições, os líderes perdem confiança nelas.

 

Finalmente, que ousadia? De eliminar o mal, ensina o mestre chinês. Querendo com isto dizer ousadia de atingir os objetivos que os governantes lhe traçarem.

 

Olhando para o panorama empresarial português e os seus líderes, constatamos com apreensão que poucos reúnem as características que Sun Bin reputava essenciais àqueles que dirigem a guerra.

 

Não esqueçamos de que a genuína competição empresarial se processa tantas vezes no terreno minado da guerra económica entre países, o que exige dos dirigentes empresariais das maiores empresas uma visão alargada e características de verdadeiros generais.

 

Economista

 

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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