António Costa
António Costa 21 de dezembro de 2016 às 00:01

Exportação de talento nacional

Portugal tem uma longa história enquanto país exportador de talentos nos mais diversos domínios.

Desde o futebol, com Cristiano Ronaldo ou José Mourinho, até às áreas das ciências, através do neurocirurgião António Damásio, passando pela gestão, com Horta Osório e Carlos Tavares, e pela política, com António Guterres ou Durão Barroso.

Os portugueses são talentosos e, muitas vezes, quando trabalham em organizações bem estruturadas e preparadas, o seu trabalho sobressai. Isso significa que a formação e o talento dos portugueses produzem ótimos resultados quando os objetivos estão traçados e o trabalho está devidamente estruturado.

 

Em solo nacional existem também ótimos exemplos da capacidade de atração e retenção do talento nacional. Por exemplo, a Bosch que concentra em Portugal o centro europeu de desenvolvimento de novos produtos, a Autoeuropa que já anunciou o plano de investimentos para os próximos anos em Portugal, ou os casos de startups portuguesas como a Farfetch, Feedzai ou Uniplaces, que angariam milhões de euros em financiamento e competem à escala global.

 

No entanto, estes exemplos estão ainda longe de representar o tecido empresarial nacional, maioritariamente constituído por pequenas e médias empresas. Para conseguirem ser competitivas, as empresas portuguesas precisam de apostar no planeamento, no rigor e no método para que os seus recursos humanos produzam no sentido pretendido pois, desta forma, terão certamente um negócio mais rentável, eficiente, com menor desperdício e, em simultâneo, maior capacidade de retenção de talento, fator crucial para a competitividade a longo prazo.

 

O único caminho para tirar Portugal do baixo crescimento económico é construir um país reconhecido por mão-de-obra qualificada e empresas de grande valor acrescentado. O objetivo das empresas deve passar pela diferenciação contínua dos seus produtos ou serviços através da inovação. No fundo, apresentar benefícios reais para os seus clientes e, por outro lado, benefícios que sejam difíceis de imitar pela concorrência num curto espaço de tempo. Só assim Portugal poderá ser competitivo à escala global.

 

É fundamental que esta alteração entre no "mindset" de todos os que fazem parte da organização, desde o topo até à base, pois só assim todos estarão envolvidos, interessados e comprometidos na mudança.

 

As empresas que trabalhem já nesta mudança de paradigma estarão mais bem preparadas para enfrentar os atuais e novos desafios, que se prendem com a digitalização da economia e com a indústria 4.0, que irá gradualmente libertar os recursos humanos de tarefas repetitivas e exigir cada vez mais pensamento crítico e criatividade.

 

Senior Partner Kaizen Institute Western Europe

 

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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comentários mais recentes
MarchisioDaSilva 21.12.2016

Concordo! Eu emigrei e nuncaais olhei para tras! :D

eduardo.santos 21.12.2016

Emigração . .. - .É preciso ser-se um sem vergonha nem respeito pelos seus votantes.........ontem gritava insultos ao governo anterior que fazia ---dizia ele -- os portugueses emigrarem, hoje ele, esse tal Costa, faz exatamente o mesmo-canalha