Pedro Santana Lopes
Pedro Santana Lopes 29 de junho de 2017 às 00:01

Falsa premissa

A vice-governadora do Banco de Portugal, Elisa Ferreira, em audição parlamentar que teve lugar na Comissão de Orçamento, Finanças e Modernização Administrativa, assegurou publicamente que há vários interessados em entrar no capital da Caixa Económica Montepio Geral.

Perguntada sobre se eram portugueses ou estrangeiros, respondeu bem e disse que no Mercado Único Europeu essa questão não se coloca. Eu já tinha tido ocasião de dar essa informação publicamente mas, obviamente, a confirmação por alguém com tão altas responsabilidades no setor tem outro significado. Fica, portanto, provado de vez que é falso o pressuposto de que partiram alguns analistas para considerações que teceram sobre uma hipotética entrada da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa no capital dessa instituição. Ora, sendo falsa a premissa, as conclusões ficam obviamente postas em causa. Seria bom, aliás, que os portugueses que ouvem essas considerações não deixassem de pôr a hipótese de elas resultarem, por vezes, não digo de interesses, mas de um entendimento serôdio que leve alguns "opinadores" a estranhar que não seja uma das grandes instituições financeiras internacionais a ter mais direitos do que as outras. Aliás, mandariam os bons princípios de que quem escreve sobre a matéria e tem cargos executivos ou não executivos em instituições bancárias interessadas no processo, se abstivessem ou então que fizessem a devida e prévia declaração de interesses.

 

Elisa Ferreira não se ficou só por essa informação, teceu também considerações sobre a naturalidade da existência de instituições bancárias mais ligadas à economia social, lembrando os vários exemplos que existem, nomeadamente a nível europeu. Deitando assim também por terra uma argumentação que vi no outro dia num comentário televisivo e que, de suposta cátedra, dizia mais ou menos isto: "Para quê um banco de economia social? As instituições da economia social normalmente têm pouco dinheiro e se o projeto é bom já há outos bancos para apoiarem. Se o projeto não é bom para outros bancos apoiarem, então também não deve ser para esse suposto banco mais ligada à área social." Eu diria, "está tudo dito". E de facto só podemos estar ou perante ignorância ou perante um deliberado propósito de distorcer a realidade.

 

Quando escrevo este tipo de considerações sobre algumas opiniões que já apareceram sobre a matéria, alguns vêem nelas a defesa da entrada da Santa Casa no capital do Montepio. Estão completamente enganados. Não é, nem deixa de ser. O que não suporto é o debate viciado e a suposta supremacia da arrogância intelectual daqueles que durante anos defenderam modelos de gestão de instituições financeiras que deram os resultados que se conhecem. Agora, seria de "bom-tom" que fizessem a correção daquilo que escreveram: há mais interessados no Montepio. Os portugueses quando ouvem tão doutas opiniões, que se lembrem deste conselho: por vezes, alguma opinião tem razões que a razão desconhece.

 

Advogado

 

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mais votado JCG 29.06.2017

Mais do mesmo. Em vez de andarem, toda essa manada, focados na procura de accionistas para a Caixa do Montepio, deviam, antes, investigar, mas com olhos de ver e com competência e seriedade, a razão pela qual o banco do Montepio entrou em trajectória de afundanço e crise. Mas isso não. Todos esses inteligentes apenas acham que a solução e despejar mais gasolina para cima da fogueira. E todos esse crânios parecem ignorar que a via mais normal de uma empresa aumentar os seus capitais próprios e se robustecer é através do apuramento de resultados positivos em cada ano de exploração. Quem mal governou aquilo ainda por lá anda a enfardar. O Srs Tomás Correia e o padre Melícias são o "acionista" põem e dispõem como se aquilo fosse deles, fiéis escudeiros dessa dupla estão lá no topo, nomeadamente o crãnio operacional na compra do Finibanco que injectou numa organização mal gerida outra gerida ainda pior... Bom, se o banco do Montepio precisa de mais capital então que venda alguns investimen

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JCG 29.06.2017

Mais do mesmo. Em vez de andarem, toda essa manada, focados na procura de accionistas para a Caixa do Montepio, deviam, antes, investigar, mas com olhos de ver e com competência e seriedade, a razão pela qual o banco do Montepio entrou em trajectória de afundanço e crise. Mas isso não. Todos esses inteligentes apenas acham que a solução e despejar mais gasolina para cima da fogueira. E todos esse crânios parecem ignorar que a via mais normal de uma empresa aumentar os seus capitais próprios e se robustecer é através do apuramento de resultados positivos em cada ano de exploração. Quem mal governou aquilo ainda por lá anda a enfardar. O Srs Tomás Correia e o padre Melícias são o "acionista" põem e dispõem como se aquilo fosse deles, fiéis escudeiros dessa dupla estão lá no topo, nomeadamente o crãnio operacional na compra do Finibanco que injectou numa organização mal gerida outra gerida ainda pior... Bom, se o banco do Montepio precisa de mais capital então que venda alguns investimen

Santana Lopes põe-te a pau. Não emprestes. 29.06.2017

Santana Lopes para seu bem e da SCML mande às malvas o Montepio, mande esta banqueta da treta apanhar nas nalgas. Porque todo o dinheiro lá enterrado vai pelo cano! Existem outros investimentos mais sólidos e seguros. Bancos já provaram q são uma meerda nauseabunda a fuuder os contribuintes.

Montepio já não necessita da SCM 29.06.2017

Felizmente o Santana já não vai ter de fazer o frete ao Costa porque já há vários interessados no Montepio lol
Será que os interessados apenas são curiosos a querer saber como é que o Santana vai enterrar a SCM?
São os cuscos que levantam os cadernos de encargos e depois não concorrem!!

Anónimo 29.06.2017

O que eu sei é que há dois dias me enviaram um envelope do Montepio em que a única coisa que trazia era um folheto sobre o Fundo de garantia de depósitos. Será que me querem dizer alguma coisa sobre o futuro próximo do Banco?

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