Sebastião Fernandes
Sebastião Fernandes 16 de julho de 2017 às 19:20

Ficou sem bateria?

Nunca a tecnologia fez tão parte do nosso dia a dia como hoje, chegando mesmo a rivalizar com as mais básicas atividades de vida. Um estudo recente demonstrou que passamos em média mais horas do nosso dia ao computador ou ao telemóvel do que a dormir.

Tamanha dependência só se poderia refletir num aumento do consumo energético, o que tem forçado este setor a reinventar-se. Do lado da produção, as energias renováveis mantêm-se prometedoras, mas a maior procura de eficiência tem-se observado na capacidade de armazenamento.

 

Da panóplia de alternativas existentes no mercado, as baterias de iões lideram. Uma grande fatia dos produtos tecnológicos assenta nesta forma de armazenamento, nomeadamente smartphones, portáteis, tablets e carros elétricos. A procura por lítio triplicou o seu preço e quadruplicou os contratos de exploração entre 2015 e 2016. Ainda assim, o custo destas baterias tem vindo a decrescer, fruto das inovações mais recentes. Enquanto em 2010 o custo do kilowatt por hora era de 1.000 dólares, hoje esse custo ronda os 230 dólares.

 

Em 2016, os australianos sentiram de perto a nossa dependência energética quando uma tempestade provocou um "apagão" numa vasta área do Sul do país, atingindo 1,7 milhões de pessoas. Consequentemente, e em resposta a um desafio lançado nas redes sociais, o empresário Elon Musk prometeu construir na Austrália a maior central de armazenamento energético com baterias de iões de lítio, num tempo recorde de 100 dias. Para instalar uma capacidade de 100 megawatts, Musk utilizará a unidade de armazenamento desenvolvida pela Tesla, empresa fundada pelo mesmo, e que é comercializada sob o nome de Powerwall. Mas esta não é a estreia da Tesla no setor. Já no início do ano a Powerwall foi utilizada na construção de uma central de energia solar no Havai. A combinação destas duas tecnologias é promissora, pois permite que em períodos de excesso de produção a energia seja armazenada, para posteriormente colmatar os aumentos de procura nas horas de pico de consumo.

 

As vantagens do armazenamento estendem-se desde o produtor até ao consumidor final. Do lado do produtor, a crescente preocupação com o ambiente traduziu-se em fortes regulações para o setor, o que obriga as grandes empresas energéticas a serem mais eficientes em todo o processo de produção. A solução mais viável parece passar pelo armazenamento, que ao ser feito em estruturas modulares, permite ainda uma ágil mudança de infraestruturas de acordo com as necessidades da empresa. O seu carácter móvel oferece assim um maior valor acrescentado a este investimento, quando ajustado ao risco. Do lado do consumidor final, o benefício é igualmente grande, pois possuindo uma unidade de armazenamento, fica menos dependente da rede e, por conseguinte, das tarifas dinâmicas do mercado.

 

O sucesso da tecnologia de armazenamento energético depende de três fatores. Em primeiro, da capacidade e rapidez de reduzir os seus custos de produção. Em segundo, de um fator competitivo que obrigue os gigantes do setor a baixar o custo de energia na rede. Finalmente, do modo como as entidades reguladoras balançam os incentivos entre a combinação de energias renováveis e armazenamento, assegurando ao mesmo tempo uma economia sustentável para o mercado energético. A questão que se coloca é: serão estes satisfeitos de modo a evoluirmos para um consumo totalmente assente em energias renováveis?

 

Membro do Nova Investment Club 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico 

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