Fernando  Sobral
Fernando Sobral 29 de Novembro de 2016 às 09:34

Fillon é o candidato da direita. Agora venham as eleições

Depois da surpreendente primeira volta já se esperava que François Fillon fosse eleito como o candidato presidencial da Direita francesa.

O católito e liberal Fillon, de 62 anos, é agora o mais sério candidato a ocupar o Eliseu no próximo ano, frente a Marine Le Pen e a qualquer solução da esquerda. Na segunda volta Fillon superiorizou-se a Alain Juppé, mais centrista. No "El País", Carlos Yárnoz escreve: "Com Fillon regressa uma direita menos estridente que a do fracassado Nicolas Sarkozy, eliminado na primeira volta contra todas as expectativas, mas mais tradicional, mais dura, sem complexos. É a direita francesa católica (60% dos seus votantes são-no), nervosa com o abrandamento económico e assustada com a suposta crise de identidade num país multicultural atacado pelos jihadistas".

No "Le Figaro", Alexis Brézet defende a escolha: "É um movimento profundo - liberal e conservador - que a direita sufragou por duas vezes. (…) Quem diria que o homem que pregava no deserto seria três meses mais tarde o grande favorito das presidenciais? (…) A questão para François Fillon não é conviver com as boas graças dos privilegiados do sistema, que beneficiam quase sempre de um emprego para a vida, é associar as classes populares à sua ambição reformadora". Já Grégoire Biseau, no "Libération" tem outra opinião: "Ele vai tentar convencer a maioria dos eleitores que é urgente abraçar a sua revolução liberal e conservadora. Na verdade, a direita vira à direita. (…) A tripartidarização da vida política francesa impõe uma nova regra de ouro: a representação de cada facção (direita, esquerda e Frente Nacional) tem, com efeito, dois terços dos franceses contra ela". Com este estilhaçar de opções é cada vez mais difícil ver quem será o próximo ocupante do Eliseu. Fillon tem muito a seu favor.


A sua opinião0
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar