Carlos Bastardo
Carlos Bastardo 01 de agosto de 2017 às 21:50

Finalmente, a Europa aproxima-se dos EUA no crescimento do PIB 

Dado que alguns fatores favoráveis ao crescimento do PIB em Portugal são cíclicos, seria bom que o país aproveitasse esta fase pós-crise para continuar a reduzir o défice público.

Recentemente, o Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou as suas últimas projeções macroeconómicas. O facto mais importante a salientar, além da revisão em alta do crescimento do PIB mundial para 3,5% em 2017 e 3,6% em 2018, é a aproximação do crescimento económico da Zona Euro ao dos EUA.

 

O FMI reviu em baixa o crescimento do PIB americano para este ano de 2,3% para 2,1% e em 2018 de 2,5% para 2,1%. Ao contrário, reviu em alta o crescimento do PIB da Zona Euro de 1,7% para 1,9% este ano e de 1,6% para 1,7% em 2018.

 

Tendo como referência os principais parceiros comerciais de Portugal, é de salientar que Espanha deverá crescer 3,1% em 2017 (2,6% anteriormente estimados) e 2,4% em 2018 (2,1%). Boas notícias para os "nuestros hermanos", mas também para nós, dadas as compras de produtos nacionais efetuadas pelo país vizinho.

 

França, que nos últimos dois a três anos tem reforçado o papel de investidor em Portugal (e não apenas através da compra de imóveis por cidadãos daquele país), deverá crescer 1,5% este ano e 1,7% em 2018 (0,1% acima da anterior estimativa).

 

A Alemanha, outro importante parceiro comercial, deverá crescer 1,8% em 2017 (revisão em alta de 0,2%) e 1,6% em 2018 (+0,1% de revisão em alta).

 

Em contraponto com a Zona Euro, o crescimento económico do Reino Unido foi revisto em baixa pelo FMI de 2% para 1,7% em 2017 e de 1,5% para 2018.

 

Relativamente a três dos países BRIC, a Rússia deverá crescer este ano e no próximo 1,4%, a China deverá crescer 6,7% este ano (0,1% de revisão em alta) e 6,4% em 2018 (0,2%) e no Brasil, apesar de crescer este ano, a dinâmica é ainda muito pobre, prevendo-se que o PIB aumente apenas 0,3% este ano e 1,3% em 2018. Este fraco crescimento económico da Rússia e do Brasil tem que ver com a evolução dos preços das "commodities" e com a fraca dinâmica da procura interna.

 

Finalmente, o Japão deverá crescer 1,3% em 2017 e 0,6% em 2018.

 

Estas previsões macroeconómicas são importantes para Portugal, pois a base do nosso crescimento económico tem sido as exportações (com relevo para o turismo) e o investimento e não tanto a procura interna. Contudo, dado que alguns fatores favoráveis ao crescimento do PIB em Portugal são cíclicos, seria bom que o país aproveitasse esta fase pós-crise para continuar a reduzir o défice público e, principalmente, a dívida pública que continuou a aumentar no segundo trimestre do ano para níveis recorde.

 

Apesar da antecipação de alguns reembolsos previstos do empréstimo contraído junto do FMI na altura do resgate de Portugal (2011), o que faz sentido dado o custo financeiro inerente, seria muito positivo que a dívida pública invertesse a tendência de subida dos últimos anos (especialmente a partir de 2009).

 

Se a dívida pública não desce quando o país provavelmente vai crescer ao ritmo mais acelerado deste século (2,5% a 2,6%) e quando as taxas de juro na Europa estão em mínimos históricos, quando é que vai descer?

 

Esta é uma questão que deve merecer uma atenta reflexão e, principalmente, uma ação por parte dos nossos responsáveis governamentais. São necessários excedentes consecutivos e de valor suficiente no saldo primário das contas públicas e é necessário continuar a restruturar a dívida, quer em maturidade como no seu custo financeiro.

 

Economista

 

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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miguel Há 3 semanas

Tem carradas de razão. Se não aproveitarmos a maré do crescimento do PIB para descer a dívida pública, estamos arrumados!... Mas ã dupla CC (Costa - Centeno) parece não estar para aí virada. Basta ver os números de ontem da dívida pública, que continuam a subir.