Paulo Carmona
Paulo Carmona 13 de novembro de 2017 às 20:41

Foi bonita a festa, pá!

90 a 95% das start-ups morrerão em breve e as que sobreviverem vão necessitar de mais capital para crescerem. E o capital para estes negócios está fora daqui.

A FRASE...

 

"Web Summit foi um acelerador de investimentos para Portugal."

Manuel Caldeira Cabral, Jornal de Negócios, 5 de novembro de 2017

 

A ANÁLISE...

 

O Web Summit foi um acontecimento fantástico. Estas feiras e congressos, e este em particular, dão a conhecer aos participantes o quão agradável é Lisboa, e os portugueses, associando a cidade a um buzz de modernidade e de novas tecnologias inspiracionais. Um evento que atraiu 50.000 pessoas de todos os cantos do mundo, num setor de futuro e em rápida expansão, é do melhor que se consegue ter para a imagem de Lisboa como destino turístico e de trabalho num mundo cada vez mais ligado em rede. O turismo agradece e muito.

 

Dada a nossa qualidade de vida, é talvez dos melhores sítios do mundo para lançar uma start-up e é bom mostrá-lo. O problema surge depois… 90 a 95% das start-ups morrerão em breve e as que sobreviverem vão necessitar de mais capital para crescerem. E o capital para estes negócios está fora daqui. Como também os recursos humanos qualificados. É muito difícil encontrar técnicos portugueses nestas áreas. Ou os contratam as empresas nacionais, e esse é um "crowding-out" não desejável, ou os "importam" a custos mais altos… e por fim, se tiverem escala saem para locais onde haja estabilidade fiscal, onde o IRC não aumente como em Portugal. São empresas com alto valor acrescentado, com pouca geração de emprego, e que voam facilmente para países como a Irlanda onde pagarão 12,5% de imposto em vez de 30% e com menor burocracia fiscal. Compensa a menor qualidade de vida…

 

Lembram-se do que se gastou na Qimonda, moderna, de futuro, que seria um símbolo do novo Portugal moderno e tecnológico, por contraponto aos setores tradicionais envelhecidos e pouco sofisticados. O que aconteceu? A Qimonda faliu e esses setores atrasados são hoje uma das fórmulas de sucesso da economia e das exportações.

 

Embasbacando fácil com este espetáculo de modernidade e altas tecnologias de informação, corremos o risco de esquecer que morreram 100 pessoas queimadas, fora de Lisboa, por falta de comunicação e coordenação. Um país envelhecido e pouco qualificado, e onde o Estado gasta fundos em feiras tecnológicas e também em estudantes cujas profissões serão substituídas por robôs em pouco tempo ou atraiçoadas por questões demográficas. "Foi bonita a festa, pá", mas não chega…

 

Artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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comentários mais recentes
Mr.Tuga Há 1 semana

Perfeito!

O LABREGO e PACOVIO ATRASADO da Europa e OCDE tuga! Um autentico asno troglodita como se vê pêlos INCENDIOS, legionella, gestão AMBIENTAL, etc.... armado em "tecnológico" e esclarecido....

ANEDOTICOS E PATETICOS!

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