Fernando  Sobral
Fernando Sobral 28 de dezembro de 2016 às 09:47

Foi Natal. E os britânicos continuam a discutir o Brexit

Nem o Natal parou a discussão. Nem o Boxing Day. Os britânicos continuam a debater com emoção o que vai acontecer ao seu país fora da União Europeia.

O antigo governador do Banco de Inglaterra, Mervyn King, deu uma entrevista à BBC4, onde expôs as suas ideias: "Penso que os desafios que vamos enfrentar não são uma cama de rosas - ninguém deve pretendê-lo - mas também não é o fim do mundo e há algumas oportunidades reais que podem advir do Brexit. (…) Estar fora do que é o belo fracasso da União Europeia - particularmente na área económica - dá-nos oportunidades ao mesmo tempo que grandes dificuldades políticas". No "Independent", Tom Peck desconfia da "santa aliança" EUA/Grã-Bretanha: "O chefe do Comércio de Trump, Wilbur Ross, tem vindo a dizer ao mundo a oportunidade dada por Deus de roubar o bolo britânico e comê-lo. Vai ser ele que estará à espera na porta de um 'saloon' com um sorriso e com um aperto de mão, esperando pela pequena velha Grã-Bretanha, que ainda não acredita na sua sorte por ter sido atacada pelas costas e ter sido enviada para a frente da fila". Ou seja, a Grã-Bretanha poderá ser "atraiçoada" pelo velho aliado?

Já no "Spectator", James Forsyth escreve: "Agora podemos decidir que tipo de nação queremos ser. (…) Afinal juntámo-nos à então CEE porque, na trivial frase de Dean Acheson, tínhamos perdido um império e não tínhamos encontrado uma função. Ao contrário de quase todos os outros Estados-membros o nosso lugar na UE não era uma questão de orgulho nacional. (…) Que a Grã-Bretanha iria partir em qualquer momento tornou-se altamente provável quando em 1992, John Major negociou a não entrada do Reino Unido na moeda única. Não estar envolvido no projecto político central da UE fez da Grã-Bretanha um membro semi-isolado". O próximo ano promete ser empolgante no debate sobre o Brexit.


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