António Moita
António Moita 09 de julho de 2017 às 20:15

Forças mal a(r)madas

Se fosse apenas um caso de furto de armamento, ainda que muito grave pela natureza do material subtraído, não se teria levantado o ruído e o alarme que se levantou.

O problema é mais grave e tem que ver com o papel das forças armadas num país endividado e em que as prioridades não passam pela modernização e reforço da capacidade deste pilar fundamental da segurança e da soberania do Estado.

 

Quase todos gostamos de ver as tropas em parada ou a desfilar em dias solenes e sentimos orgulho quando verificamos a elevada qualidade da participação das nossas forças em situações de conflito internacional. Mas quase ninguém compreende a necessidade de desviar dinheiro dos nossos impostos para a aquisição de submarinos, de aviões de guerra ou de novas viaturas blindadas.

 

As forças armadas portuguesas, especialmente o exército, foram obrigadas a alterações de organização profundas nas últimas décadas impostas primeiro foi o fim da guerra colonial e mais tarde com o fim do serviço militar obrigatório.

 

A introdução ao novo conceito estratégico de defesa nacional refere a importância de garantir os fundamentos que enquadram e dão coerência ao papel que o Estado reserva às suas forças armadas: o poder e a vontade e a mobilização de recursos materiais e imateriais. Para mim não é preciso ir mais longe. De todas estas condições de partida parece só existir a vontade. E mesmo esta é intermitente.

 

Como escreveu o meu saudoso amigo General Gabriel Espírito Santo em 2008, vivemos "num mundo cada vez mais plano, quente e povoado onde os efeitos da globalização espalham a ritmo acelerado ameaças, crises e emoções". E acrescentava: "Os alertas sucessivamente transmitidos aos decisores sobre o emprego dos recursos da Nação não significaram que as Forças Armadas queriam ser mais ricas do que a Nação. Teimosamente, sem grande sucesso, quiseram transmitir que a Defesa é para os cidadãos e deve constituir uma prioridade do Estado".

 

Jurista

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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