João Fonseca
João Fonseca 12 de fevereiro de 2017 às 20:45

Futebol social

Começo com uma frase que não é minha. Começo com uma frase de David Simas. Bem, na realidade, começo com uma frase de Barack Obama.

Confuso? Passo a explicar.

 

Em recente entrevista, David Simas, "political advisor" de Barack Obama, confidenciou que sempre que os assessores se acercavam do Presidente para argumentarem sobre uma qualquer tomada de posição, o Presidente avisava-os "Please, always take the long view".

 

Sim, isto não é mais do que a célebre expressão portuguesa "Não deves olhar para a árvore, mas sim para a floresta". E não existe nada mais avisado do que isto, digo eu. Porque estamos demasiado habituados a ter as "vistas curtas" (que giro, mais uma expressão!).

 

Vem isto a propósito de como futebol e responsabilidade social estão tão perto e tão longe, um do outro, ao mesmo tempo.

 

Por muito que nos custe a entender, e confesso que não entendo a dificuldade, o desporto, mas muito particularmente o futebol, tem um papel relevantíssimo na sociedade a nível global. Dele, futebol, e de quem nele atua, se esperam comportamentos que sirvam de exemplo para todos nós. Miúdos e graúdos.

 

Ora senão, façamos uma ligeira reflexão. Digam-me uma atividade que ligue o Papa, o Presidente dos Estados Unidos e o vosso vizinho do 3.º esquerdo. Sim, todos eles já utilizaram o futebol para exemplificar alguma situação. Porquê? Porque toda a gente, goste mais, goste menos ou simplesmente nem goste, o acaba por consumir. Direta ou indiretamente.

 

Mas, meus caros, não pensem que isto é um ponto a favor. Ou melhor, podem pensar que o deveria ser, na verdade. Toda a gente consumiu o golo do Éder e a felicidade lusitana em terras francesas. Que alegria! Mas toda a gente também consumiu (quiçá com maior ferocidade) o escândalo Blatter na FIFA. Que tristeza!

 

E é este o problema. O futebol tem este poder global! E há dirigentes, demasiados dirigentes, que andam literalmente aos pontapés, qual bola de futebol, à sua reputação e credibilidade. Sim, porque tudo começa nos dirigentes e nas reformas que promovem ou deviam promover.

 

Porque é aqui que entra o valor da marca.

 

Ponto 1. Ninguém tem vontade em consumir um produto que não tenha valor. E o que é isto de ter valor?

 

O valor de um produto tem grande enfoque na perceção que temos sobre o mesmo. Sendo isso uma factualidade ou não.

 

E podemos começar por aí. Porque é que o futebol não se vende melhor?

 

Ponto 2. O desporto é um produto de excelência. E o futebol, dentro do desporto, ainda o é mais.

 

Dificilmente, e em termos de valor comercial, conseguimos percecionar e detetar um desporto com maior valor global que o futebol.

 

E esse valor só vem de um sítio. Das pessoas. Dos consumidores. Dos fãs.

 

Que ninguém tenha dúvidas. No dia em que os fãs deixarem de consumir, o futebol deixa de ter este valor incalculável. São eles que lhe conferem a grandeza, maior ou menor.

 

E se o valor é, hoje em dia, incalculável alguém imagina o que seria se o futebol e os seus dirigentes o soubessem proteger?

 

Ponto 3. Sim, é minha convicção que o futebol pode valer muito mais.

 

Basta olhar para os nossos amigos ingleses. E deixemos de lado a questão das mentalidades. Não nos podemos esconder atrás dos chavões do "é cultural" ou "a mentalidade é outra".

 

Lembram-se dos "hooligans", certo? Sim, lá a mentalidade é mesmo outra.

 

Porque em pouco mais de 20 anos, deixaram de ser o país dos "hooligans", do caos ou da selva. E tornaram-se no país do "respect for the game", da proteção aos árbitros, treinadores ou jogadores.

 

Da proteção do futebol.

 

Consequência?

 

Correndo o risco de parecer simplista, basta atentar ao crescente valor de venda dos seus direitos televisivos.

 

Mais um exemplo interessante é o de "nuestros hermanos". Dizem eles: temos o Real Madrid e o Barcelona, temos o Cristiano e o Messi, e o melhor futebol do mundo continua a ser o inglês?

 

Pois, meus caros.

 

Deixo-vos mais uma citação, esta do Professor Manuel Sérgio.

 

"Quem só percebe de futebol, não percebe nada de futebol."

 

Sejamos responsáveis. Os miúdos de hoje serão os consumidores de amanhã.

 

Todos juntos conseguiremos fazer do futebol, um desporto que respeite e se faça respeitar e veremos esse resultado a vários níveis.

 

Maior aceitação social, mais público nos estádios, um maior valor da marca.

 

Quem tem interesse em rejeitar esta situação de "win-win"?

 

Posto isto, acabo como comecei. Parafraseando David Simas (ou Barack Obama): "My dear fellows, always take the long view."

 

Gestor desportivo

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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comentários mais recentes
Mr.Tuga 13.02.2017

Fuitibois e churtadores de bola e todos os que gravitam e parasitam em redor, são uma BOSTA INUTIL, para pagar ordenados ONBSCENOS a custa de contribuintes e dos pobretanas que os sustentam....

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