Fernando  Sobral
Fernando Sobral 23 de abril de 2012 às 23:30

Gaston Lagaffe e a crise

Gaston Lagaffe, o desajeitado herói da BD, é o grande modelo da Europa. Lagaffe, no seu emprego, ficou encarregue da manutenção dos extintores. Com tanto sucesso que conseguiu deitar-lhes fogo. Preguiçoso, consegue semear ventos e colher tempestades.
Gaston Lagaffe, o desajeitado herói da BD, é o grande modelo da Europa. Lagaffe, no seu emprego, ficou encarregue da manutenção dos extintores. Com tanto sucesso que conseguiu deitar-lhes fogo. Preguiçoso, consegue semear ventos e colher tempestades. A eleição presidencial francesa é a chuva de granizo que faltava para que nenhum guarda-chuva pareça seguro. Se Sarkozy perder frente a um François Hollande esquivo assiste-se a um dos últimos actos do voto de rejeição política que já afundou quase metade dos governos da zona euro nos últimos tempos. E que agora também afogou o ortodoxo governo holandês. Não há santos nem pecadores na Europa: o medo foi substituído pelo pânico.

E a austeridade, como até já reconhece o FMI, campeão da rosca apertada até ao limite como política económica, não funciona sem crescimento. A reunião do FMI foi uma dança da chuva sem sentido para salvar o euro. Como se o suicídio lento, proposto pela Alemanha, fosse a política certa. Em Portugal não se discute a Europa. Nem o Governo tem opinião sobre o futuro desta, desde que os euros continuem a cair no seu regaço. Mas seria importante analisar a força crescente dos blocos mais radicais em França, à direita e à esquerda, jangadas onde se recolhem os náufragos de uma Europa que se afunda.

A fúria popular começa a concentrar-se, na Espanha, na Grécia, na República Checa, na França. Por motivos diferentes. Mas todas essas fúrias desaguam num rio que quer destruir a barragem da austeridade sem sentido e sem futuro. Começou o desafio crucial à história da Carochinha contada pela Alemanha e pelo FMI. Gaston Lagaffe está à solta.

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ariosto 24.04.2012

O que é tratado com muito humor e fineza neste artigo, características do grande Fernando Sobral. Houve, na 2ª Guerra, um controverso Herói Francês, o Almirante Darlan que, ainda que odiasse os ingleses, já que um antepassado deu havia morrido em Trafalgar, prometeu ao Churchill que não deixaria a armada francesa cair em mãos alemãs. Guindado a Ministro da Marinha, em Vichy, ao ser perguntado, no dia seguinte à sua posse, se manteria a sua palavra, respondeu: Aquilo que disse antes não vale, agora sou Ministro! Acabou por ser assassinado em África, em circunstâncias misteriosas, com o assassino julgado durante a noite e executado na manhã seguinte. Nem Cristo foi julgado tão rápido. De qualquer forme, guarda semelhança com algumas figuras hodiernas que, fora do Governo, têm um discurso e, depois, têm a lata de dizer: Agora sou Ministro...

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