Fernando  Sobral
Fernando Sobral 15 de março de 2017 às 09:36

Geert Wilders é um papão? E o dilema turco

Todos os olhos estão virados para as eleições holandesas. E muitos têm medo de Geert Wilders.

Como acordará a Europa na quinta-feira, depois de contados os votos? Não se sabe. Mas, para já, a Holanda está de candeias às avessas com a Turquia, com palavras inflamadas de ambos os lados. O curioso é que em Ancara já se fala da possibilidade de uma nova tentativa de golpe de Estado. Seja como for, os ânimos estão demasiado exaltados, como escreve Yusuf Kanili no turco Hurriyet: "Houve uma altura em que a Turquia falava sobre 'nenhum problema com os vizinhos'. Mas a Turquia já não é um país sem um problema com os seus vizinhos. Pelo contrário, moveu-se com sucesso para uma situação de 'problemas com todos'. Agora, aparentemente, para promover as aspirações de uma superpresidência, está a tentar espalhar a política de tensão e polarização a todos os países onde os cidadãos turcos podem votar."

Um deles é a Holanda, agora na rota de eleições. Na Al Jazeera, Silvia Mazzini e Kees Jan van Kesteren analisam: "Considerando a sua agenda anti-islâmica, nacionalista e isolacionista, Wilders pode ser visto como um pioneiro do trumpismo. (...) Os nacionalistas e os populistas forçaram a Europa a debater a identidade, a tradição e a cultura. Os governos nacionais e os líderes europeus ignoraram isso até agora. Mas o futuro da Europa encontra-se na sua identidade. Em vez de ficarem envergonhados ou receosos, aqueles entre nós que não concordam com as respostas dos populistas, devem ter a coragem de entrar neste debate." Já Cas Mudde, no Guardian, escreve: "Uma das principais razões para a falta de inspiração nos holandeses pode ser a incompatibilidade entre os temas que os preocupam e aqueles de que os partidos falam. Desde o princípio do século XXI, as campanhas políticas holandesas foram dominadas pelos 'três ii": imigração, integração e Islão. E este ano não é diferente."



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Anónimo Há 2 semanas

Amanhã será o primeiro dia do fim de mais integração da UE.