Alexandre Real
Alexandre Real 18 de Outubro de 2016 às 20:15

"Geo-blocking!" Tudo será diferente…

Já entendemos que a globalização a curto prazo é positiva para os consumidores, mas a médio longo prazo mina as economias que importam mais do que exportam, que infelizmente é o caso português.

Antes de mais o que é o "geo-blocking"?

 

Todos os computadores têm um numero único que os identifica designado de IP (Internet Protocol ou, em português, Protocolo de Internet). Quando entramos na internet, mais propriamente num site, o nosso computador envia o nosso IP de forma que o servidor de conteúdo e de destino nos identifique o número e a nossa localização geográfica. Esta localização geográfica é acedida por base de dados de IP que correlacionam o número de IP com o país. Com este procedimento, este mesmo servidor dá-nos acesso ao conteúdo que desejamos, o que pode ser uma notícia, um texto, um vídeo, etc…

 

Com esta identificação IP-País muitas empresas restringem, alteram, ou bloqueiam o conteúdo, informações ou os preços dos produtos.

 

Segundo dados da Comissão Europeia que em 2015 inquiriu mais de 1.400 fornecedores de conteúdos digitais dos então 28 Estados-membros, concluiu-se que 38 % dos retalhistas indagados que vendem bens de consumo e 68 % dos fornecedores de conteúdos digitais responderam que bloqueiam geograficamente consumidores de outros países da União Europeia.

 

Atualmente a União Europeia prossegue o objetivo de criar um mercado digital único.

 

No entanto, penso que este precedente do "geo-blocking" a nível mundial e não apenas europeu será o início do fim da globalização, o que não deixa de ser curioso, a internet que foi o forte motor da globalização moderna poderá ser o veículo que anunciará a sua morte ou mitigação.

 

Já entendemos que a globalização a curto prazo é positiva para os consumidores, mas a médio longo prazo mina as economias que importam mais do que exportam, que infelizmente é o caso português.

 

Apesar de hoje já existir uma taxação fiscal mitigada do comercio eletrónico, os países começam a perceber que estão a perder uma importante fonte de receita fiscal e não demorará muito que comecem a surgir medidas restritivas do comércio eletrónico mundial.

 

Além da fraca receita fiscal do comércio eletrónico internacional, este tipo de transações não fomenta os fatores de produção e a criação de riqueza em Portugal.

 

Não tenhamos dúvidas de que, dentro de alguns anos, os Governos começarão a promover políticas de "geo-blocking", principalmente para produtos adquiridos internacionalmente fora da União Europeia.

 

Práticas como as de hoje, de adquirirmos produtos no Alibaba a preços muito abaixo dos praticados em Portugal, vão deixar de existir…

 

Para quem não concorda, dentro de anos voltaremos a falar…

 

Gestor e Professor Universitário

 

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

A sua opinião0
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar