Fernando  Sobral
Fernando Sobral 14 de novembro de 2017 às 09:39

Gorduras, velhices, os russos e a fragilidade de May

Já se sabe que, em matéria de política externa, os EUA destes tempos de Donald Trump se tornaram um delírio. Já não se sabe o que é estratégia, negócio ou "reality show".
No meio da sua presença na Ásia, Trump voltou a trocar acusações com Kim Jong-un da Coreia do Norte. Kim disse que o discurso do Presidente americano na Coreia do Sul foram "comentários inconsequentes de um velho lunático". Aparentemente ofendido, Trump "tweetou": "Porque é que Kim Jong-un me insulta, chamando-me 'velho', quando eu nunca lhe chamei 'pequeno e gordo'? Bem, eu tentei mesmo ser seu amigo - e isso talvez um dia aconteça!" Claro que nos EUA o que se discute é a sua amizade com Vladimir Putin e muitos querem saber se Trump acredita mais no Presidente russo ou na CIA. No New York Times, Charles M. Blow escreve: "Isto é típico de Trump: olhar para todo o lado menos para a verdade. Isso não funcionará desta vez. John McCain escreveu: 'Não há nada de 'A América Primeiro' em dar mais valor de um coronel do KGB do que à comunidade da inteligência americana'. O facto desconfortável é que Trump está a seguir os seus próprios interesses, e não os interesses americanos. E, na questão da Rússia atacar as nossas eleições, os interesses de Trump e Putin alinham contra os factos e contra a América."

Já sobre a Grã-Bretanha, no Guardian, Matthew d'Ancona analisa a situação de Theresa May, com um governo a fragmentar-se e a ter de se haver com uma rebeldia dos próprios deputados do Partido Conservador: "Com um desdém pela democracia, os tories insistem que o seu dever patriótico é evitar um governo de Jeremy Corbyn a todo o custo - mesmo que para isso, utilizando uma lógica da guerra do Vietname, tenham de destruir a confiança em Westminster para se salvarem. (…) Na verdade, o seu pior inimigo não é Corbyn, mas a inércia do seu próprio governo." Resta saber como caminhará a Grã-Bretanha para o Brexit.


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