Camilo Lourenço
Camilo Lourenço 04 de Maio de 2012 às 00:32

Grande Draghi

Mario Draghi tirou as esperanças aos que pensavam que o Banco Central Europeu ia propor um pacto para o crescimento apoiado em expansionismo orçamental. O líder do BCE foi taxativo, lembrando que "não há contradição entre pacto de crescimento e pacto orçamental", contrariando a interpretação feita por analistas na semana passada, quando falou num "pacto para o crescimento".
Mario Draghi tirou as esperanças aos que pensavam que o Banco Central Europeu ia propor um pacto para o crescimento apoiado em expansionismo orçamental. O líder do BCE foi taxativo, lembrando que "não há contradição entre pacto de crescimento e pacto orçamental", contrariando a interpretação feita por analistas na semana passada, quando falou num "pacto para o crescimento".

Foi uma clarificação importante. Para desfazer dúvidas quanto a uma cedência do BCE às teses de François Hollande, que tem proposto coisas que violam o Tratado da União. Hollande propõe, por exemplo, o financiamento dos Estados pelo BCE, operação proibida pelo Tratado e pelos estatutos do BCE (aliás, o financiamento dos Estados já nem sequer era permitido nos estatutos dos bancos centrais do SME, o precursor do Euro …). Mas as declarações de Draghi são importantes por outra razão. Elas explicam quais são os verdadeiros "drivers" de um crescimento económico saudável: as reformas estruturais, onde se incluem mudanças no mercado de trabalho (flexibilizar as leis laborais) e alterações no mercado de produto (a Europa, com poucas excepções, tem um problema de concorrência).

As suas declarações vão merecer censura dos que defendem que a economia não arranca sem injecção de fundos públicos. Na Europa e nos EUA (Krugman, então, vai mandar-se ao ar…). Mas Draghi fez muito bem: estimular o crescimento com despesa pública só servirá para agravar as finanças dos países com finanças públicas mais desequilibradas (neste momento só a Alemanha o pode fazer). O que significa agravar o problema: no curto prazo haverá melhorias, mas no médio prazo os problemas regressam. Com custos agravados.

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asCetaovg91t Há 1 semana

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Glorioso 08.05.2012

O BCE se não serve para regular e financiar a economia Europeia serve para quê? Para, por exemplo, os bancos Nacionais se financiarem a 1% e depois comprarem dívida pública Nacional a 7, 8, 10, 12%?

Assim estamos a financiar com um intermediário chulo, que tem um regime fiscal vantajoso e que directa e indirectamente é responsável pela situação precária da economia Nacional.

Sérgio 06.05.2012

Chego a ter pena e vergonha da pouca inteligência deste povo da minha patria. todos falam mal do sistema mas não vêem o seu próprio erro. Na China a taxa media de poupança passa os cinquenta porcento mesmo com os ordenados baixos (que são os que mais aumentam no mundo .)o nível de endividamento certamente e menos de metade do nosso. E o mundo está cheio de oportunidades . Apesar de achar que devíamos sobretaxar importaçoes de produtos que produzimos em Portugal o meu conselho é poupem, vivem dentro das possibilidades e inovem. Invistam bem e multipliquem dinheiro e conhecimento. Em suma : vam trabalhar malandros

Sérgio 06.05.2012

Chego a ter pena e vergonha da pouca inteligência deste povo da minha patria. todos falam mal do sistema mas não vêem o seu próprio erro. Na China a taxa media de poupança passa os cinquenta porcento mesmo com os ordenados baixos (que são os que mais aumentam no mundo .)o nível de endividamento certamente e menos de metade do nosso. E o mundo está cheio de oportunidades . Apesar de achar que devíamos sobretaxar importaçoes de produtos que produzimos em Portugal o meu conselho é poupem, vivem dentro das possibilidades e inovem. Invistam bem e multipliquem dinheiro e conhecimento. Em suma : vam trabalhar malandros

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