Arlindo Costa Leite 11 de setembro de 2017 às 20:10

Há cuidar e cuidar, porque há ir e voltar

O Turismo é o setor que mais cresce e melhor posiciona hoje o nosso país no mundo. Não nos basta, no entanto, ser um país à beira mar plantado, com um bom clima, povoado por gente mpreendedora e acolhedora, que faz das tripas coração para falar todas as línguas e resolver cada problema depressa e com um sorriso na cara.
Somos donos de um património histórico único que não parou no tempo e, pelo contrário, se reinventa e se moderniza tirando partido da rica História, beleza da natureza e de uma cultura relevante, fatores sempre marcantes para quem nos visita.

 

Dado o grande salto que observámos nos últimos cinco anos e a rapidez com que novos negócios, tal como o Airbnb, se enraizaram na nossa cultura quase universal, bem como a voracidade com que inúmeros restaurantes e hotéis abrem portas diariamente ao longo de todo o continente e ilhas, é tempo de deixar alguns alertas para que a lei da seleção natural, que inevitavelmente filtrará este "boom", não pareça tão violenta, sorrateira ou desalmada na sua ação.

 

É preciso primar pela qualidade, pois a quantidade já está à vista. É preciso dotar os espaços, quer sejam hotéis, restaurantes ou casas, de estruturas e de materiais confortáveis e visualmente agradáveis para quem neles se instala; é preciso que se faça uma manutenção para que a imagem e a higiene sejam irrepreensíveis; é preciso apostar em atributos técnicos que zelem pela segurança e pela paz que merecemos sentir dentro de quatro paredes. Vamos aproveitar a sorte de termos esses dons da natureza, da beleza e do acolhimento e vamos trazê-los para dentro dos locais que os nossos visitantes escolhem para viver na sua passagem por Portugal, só assim a experiência é verdadeiramente positiva e diferenciadora.

 

Portugal é turismo e é também outras coisas úteis para o turismo. Portugal é arquitetura, Portugal é design, Portugal é sustentabilidade, Portugal é indústria e é isso mesmo que devemos dar a usufruir a quem nos visita, não só nas ruas enquanto observam e fotografam desenfreadamente, mas também no espaço, mais ou menos intimista, mais ou menos sofisticado, mais ou menos recolhido, onde se instalam e onde descansam, pensam e refletem, por vezes, sobre eventuais regressos ou outros possíveis destinos cá dentro.

 

Temos hoje empresas portuguesas com portefólios extensos de soluções com diferentes texturas, acabamentos e cores tanto para ambientes como para mobiliário, muitas delas, provenientes de produtos naturais, como a madeira, que se moldam e adaptam na perfeição aos espaços criando atmosferas harmoniosas, confortáveis e que são um convite irrecusável pois fazem querer ficar e inspiram a partilhar e a voltar. A capacidade de bem apostar no detalhe arrojado é, por si só, um fator que diferencia Portugal dos demais países. Sabemos valorizar o contexto em que uma porta ou uma caixilharia de janela se insere e tudo é transformado de forma a gerar harmonia, sofisticação e vanguardismo. Somos capazes de o fazer e de transformar detalhes em elementos de peso na criação de ambientes "indoor" e estamos cada vez melhores nisso.

 

Estas questões são importantes e devem ficar na nossa mente porque as modas, os artigos elogiosos e os prémios de melhor destino turístico trazem a curiosidade que faz visitar, mas só a qualidade, a estética e o conforto geram a segurança necessária para recomendar e a tentação irresistível de regressar.

 

Há cuidar e cuidar, há ir e voltar.

 

Vale de Cambra, setembro de 2017

 

Presidente da Vicaima

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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comentários mais recentes
Mr.Tuga Há 1 semana

E ha que continuar a apostar forte nos INCÊNDIOS!

O melhor postal cá da CAGADEIR*A da Europa....
Mais de 50% da area ardida na Europa, veio cá da pequenita pocilga pestilenta! É nisto que devemos continuar a apostar....