Fernando  Sobral
Fernando Sobral 22 de novembro de 2017 às 09:55

Há futuro para a Europa depois de Angela Merkel?

Nunca o futuro político de Angela Merkel pareceu estar tanto em risco. Sem acordo para a formação de um governo maioritário na Alemanha, poderemos estar a caminhar para novas eleições. E depois?

Na Grã-Bretanha, olha-se com muita atenção para o que se passa. Porque a situação de Merkel pode ter implicações directas na negociação do Brexit com a UE. No Guardian, Martin Kettle escreve: "Os britânicos sempre assumiram piamente que, de alguma maneira, Merkel voaria para resgatar o Reino Unido, tal como os prussianos fizeram na batalha de Waterloo. David Cameron achou que isso aconteceria nas negociações que precederiam o referendo, em 2015-16. Agora Theresa May e, certamente, David Davis parecem ter uma esperança semelhante sobre o Brexit. É um erro idiota. (…) Como a maior parte dos políticos alemães, Merkel não é activamente antibritânica. Ela certamente acolheria uma Grã-Bretanha que fosse um aliado comprometido na Europa. (…) A verdade é que Merkel sempre teve maiores prioridades em casa do que o Brexit e mais confiáveis aliados na Europa do que a Grã-Bretanha."

O antigo embaixador da Alemanha em Londres, Thomas Matussek, aproveitou para avisar: "Eu penso que a instabilidade alemã é uma má notícia para a Grã-Bretanha, é uma má notícia para a Europa e, sobretudo, é uma má notícia para os alemães." E acrescentou: "Tínhamos uma voz forte e construtiva que foi silenciada. Estamos perante um país a olhar para dentro e autocentrado." No Independent, Sean O'Grady tem uma opinião diferente: "A partida da 'mutti', como os alemães gostam de chamar a Merkel, seria má para a Europa e para a Alemanha. (…) Mas a sua saída pode ser boa para a Grã-Bretanha, porque poderá permitir um mais generoso acordo para o Brexit, ou mesmo reformas na UE que tornariam o Brexit desnecessário (ou mesmo o não Brexit). Há também algum risco que poderia tornar o Brexit ainda pior." Nunca se falou tanto de Merkel.
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Anónimo Há 3 semanas

Julio, certamente um ataque de mísseis nucleares é improvável no atual cenário político, social e cultural da Alemanha, mas umum vendaval de ataques de islâmicos advindos como “refugees", isso você pode esperar nos próximos anos.

Julio Há 3 semanas

Não há futuro. Se a senhora Merkel sair, nem quero pensar. Acho que um ataque de mísseis nucleares faria menos mal a todos nós.

Anónimo Há 3 semanas

É sobejamente conhecido o número de países que estão a fazer efectivamente reformas tão profundas quanto acertadas ou não fossem esses países cada vez mais fortes socialmente e economicamente. Dos escandinavos aos da Oceania, dos da América do Norte ao Reino Unido e à Alemanha. E reformas neste contexto, entenda-se, implicam invariavelmente liberalização e flexibilização quase plena dos mercados de factores produtivos, de bens e de serviços. Promovendo um mercado saudável e funcional onde quer o pós-doutorado como o rapazola das Novas Oportunidades ganham consoante o valor que sabem criar, dadas as reais condições de oferta e procura de mercado face àquilo que têm para oferecer na economia, e não consoante a moldura legal que os torna mais ou menos imunes às forças de mercado no decorrer de toda uma carreira assente na mais pura extracção de valor sem qualquer pertinência, sentido ou justificação.

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