Edson Athayde
Edson Athayde 31 de julho de 2017 às 21:15

"Herrar é umano"

Segundo Murphy, "tudo o que tende a dar errado, de certeza, dará". E ainda complementava que a coisa daria errado no pior momento possível para isto acontecer.

De certezas na vida só a morte, os impostos e que hoje vai ouvir o "Despacito".

Assim, por mais bom estratego que seja, conte com uma percentagem relevante de coisas que vão dar pelo torto nos seus planos.

 

Para os mais novos, a Lei de Murphy não quer dizer muita coisa. Talvez nem tenham ouvido falar. Mas para quem, como eu, começou a ter de gerir empresas no começo dos anos 90 do século passado, era uma lei mais importante do que a da gravidade.

 

Segundo Murphy, "tudo o que tende a dar errado, de certeza, dará". E ainda complementava que a coisa daria errado no pior momento possível para isto acontecer.

 

Murphy era um engenheiro aeroespacial americano e cunhou o raciocínio (a frase e as suas variantes vieram depois pelas bocas de outros) ao perceber que um técnico havia montado de maneira totalmente equivocada o aparelho de um experimento.

 

Da observação desse facto, Murphy concluiu que a humanidade está fadada para errar sempre (e muito), agora ou depois.

 

Algo só está certo até que seja provado que está errado. É assim que as gerações avançam sobre gerações, que a tecnologia substitui a tecnologia.

 

Hoje acerto, amanhã incorreção: está aí o destino de tudo, o fado de todos.

 

Lembro de Murphy ao saber da expansão de uma nova rede social. Chama-se Sarahah e existe na forma de site e de aplicativo.

 

Como o próprio nome indica, o Sarahah foi criado dentro do mundo árabe. A tradução da palavra Sarahah é "franqueza" ou "honestidade". E era para o exercício desses conceitos dentro de empresas que ele existia.

 

Se você gostasse do trabalho de algum colega, poderia enviar uma mensagem dentro do Sarahah a felicitá-lo. O elogio seguiria anónimo, não haveria "quid pro quo".

 

A coisa deu tão certo que ganhou escala, saiu do mundo empresarial, foi traduzida para inglês e está na moda em vários países.

 

Vamos ver quanto vai durar. Havia uma rede muito semelhante chamada Secret que há alguns anos estava a bombar.

 

No Secret, havia também a lógica de mensagens curtas e anónimas. Só não eram elogios nem eram direcionadas a ninguém em específico. Em pouco tempo, o Secret virou um depositário de impropérios e "bullying".

 

Creio que o Sarahah seguirá pelo mesmo caminho. Nós ocidentais lidamos mal com coisas anónimas. Vide as caixas de comentários dos jornais (inclusive deste) repletas de "haters".

 

Mas enquanto isto não acontece, vá ao Sarahah, se inscreva e mande uma mensagem positiva para alguém que conheça. O endereço é o www.sarahah.com

 

Ou como diria o meu Tio Olavo: "Herrar é umano."

 

Publicitário e Storyteller

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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