Fernando  Sobral
Fernando Sobral 05 de Dezembro de 2016 às 09:30

Hollande não se candidata. E a esquerda busca uma solução

Na France 24 um comentador disse que o discurso de quinta à noite de François Hollande foi uma "bomba".

E foi: o Presidente retira-se da corrida ao Eliseu deixando caminho à esquerda para arranjar o melhor candidato para defrontar François Fillon e Marine Le Pen. Algo que não se afigura muito fácil. Agora as peças movem-se no tabuleiro. No Libération, Jonathan Bouchet-Petersen escreve que: "Hollande fecha a porta para abrir o jogo. (…) Num contexto onde ninguém da família socialista - de Valls a Montebourg - se conseguiu impor como alternativa incontornável no seu campo. Nem mesmo como capaz de se qualificar para a segunda volta das presidenciais. Este é o drama da esquerda estilhaçada, em que os eleitores votam hoje de Macron a Mélechon quando não cedem, aqui e lá, às sirenes da Frente Nacional".

O economista Thomas Piketty fez o seu diagnóstico na France Inter: "Esta foi a melhor decisão de François Hollande desde há muito." Acrescentando: "O grande erro de François Hollande e destes cinco anos foi não ter renegociado o Tratado Orçamental de 2012. (…) A decisão de Hollande, que foi a mesma de Sarkozy no último ano de mandato, de querer reduzir os défices com marchas forçadas, com um enorme aumento de impostos no fim de 2011 e em 2012 e 2013, matou o crescimento." Alexis Brézet, o director do Le Figaro, não é meigo: "Hollande nem tentou salvar as aparências. Mais uma vez não decidiu nada: inclina-se. Deixa o palco como a ocupou: com uma gravata às riscas flutuando num fato demasiado grande. (…) França já voltou a página. Ela sabe bem que Hollande não renunciou a lutar por um segundo mandato. Na verdade, ele nunca foi Presidente." Como despedida não se pode dizer que Hollande tenha entusiasmado os comentadores. E os cidadãos também não, como se via nas sondagens de popularidade.


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