Miguel Ferreira Simões
Miguel Ferreira Simões 10 de novembro de 2017 às 15:00

Imagina uma sociedade sem bancos?

Imagina uma sociedade sem Bancos? E sem pagamentos em espécie? Talvez ainda estejamos longe desta realidade, mas é inegável que a transformação chegou ao setor financeiro e que o paradigma bancário de amanhã será radicalmente distinto do atual.

Historicamente este sempre foi um setor de atividade conservador, cuja relação com os clientes assenta nos princípios da transparência, da resiliência, da confiança e da conveniência. Mas, hoje, com a evolução das preferências dos consumidores, tal não é suficiente, e cada vez mais se lhe exige a comercialização de produtos financeiros simples, personalizados, disponíveis 24 horas, 7 dias por semana, e que gratifiquem, no imediato, os clientes.

  

É neste contexto que, em plena Indústria 4.0, assistimos ao aparecimento de novas categorias de produto e à entrada de novos agentes de mercado que, através da oferta de serviços inovadores e disruptivos, baseados exclusivamente no canal de online, têm contribuído para complementar e substituir os produtos financeiros tradicionais, redefinir a cadeia de valor do sistema financeiro e promover a desintermediação do mercado.

 

A Banca tradicional, refém de estruturas organizacionais pesadas, de canais de distribuição presenciais, de tecnologias legado deve, pois, adaptar-se tempestivamente aos novos paradigmas de negócio e às necessidades dos clientes. Será inevitável que a Banca empreenda um profundo processo de transformação e digitalização da sua atividade, tendo por objetivo: i) construir e reconquistar a confiança dos clientes; ii) compreender melhor os comportamentos e preferências dos clientes; iii) posicionar o cliente no centro da estratégia comercial e de negócio; e iv) inovar na oferta de produtos e serviços financeiros, nomeadamente através do desenvolvimento de parcerias e ecossistemas de negócio em colaboração com FinTechs.

 

Em 1994, Bill Gates, fundador da Microsoft, gerou controvérsia ao afirmar "Banking is necessary, banks are not". Hoje, passados 23 anos, os Bancos continuam a existir, mas nunca a sociedade esteve tão perto de deles vir a prescindir ou pelo menos relegar para um papel e uma função secundária a sua interveniência.


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comentários mais recentes
Anónimo Há 5 dias

A segurança é impossível e os mega roubos serão possíveis sem encontrar os culpados.A movimentação/contratos via Net n é segura nem tem a adesão de todos pois nem todos sabem manusear computadores ,num futuro distante talvez mas com mtas reservas.

Anónimo Há 6 dias

E que tal uma sociedade sem comentadores? !?!
Isso é que era !

Anónimo Há 1 semana

Parabéns pelo artigo, são poucos que possuem conhecimento do mercado financeiro e tecnológico. Os bancos acostumaram com o protecionismo, oligopólio e corporativismo. Mas a tecnologia como sempre nos desafia, vemos fintech desafiando gigantes, como em David e Golias, felizmente vemos muitos bancos..

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