Paulo Carmona
Paulo Carmona 01 de fevereiro de 2017 às 20:55

Imóveis e alheados

Os mais ricos do mundo dificilmente se enquadram nos perfis de exploradores da classe operária, são antes criadores de tecnologia.

A FRASE...

 

"No último dia de 2016, o Governo tinha aprovado um novo aumento de 5% com a garantia política de um acordo de concertação social. Que agora está comprometido."

 

Negócios, 13 de janeiro de 2017

 

A ANÁLISE...

 

Vivemos hoje num mundo em rápida transformação, incompatível com imobilismos ideológicos e afins, onde a globalização, a disrupção digital e a "Ascensão dos Robôs" irão criar ainda mais desigualdades e desemprego nos trabalhadores menos qualificados. A sua revolta surda ajuda a explicar muitos dos fenómenos como Trump ou Le Pen.

 

O tradicional proletariado foi deslocado para a Ásia onde é devidamente explorado sob o olhar complacente de partidos comunistas, sem sindicatos, essa invenção ocidental e burguesa.

 

Os mais ricos do mundo dificilmente se enquadram nos perfis de exploradores da classe operária, são antes criadores de tecnologia.

 

Os países que seguiram o breviário socialista, Venezuela, URSS, Coreia do Norte, entre outros, evidenciaram a impossibilidade da levitação dos sonhos.

 

Por cá, alheios a tudo isto, a ideologia dominante e desenquadrada destes fenómenos insiste no modelo antigo de luta de classes, salários mínimos, estandardização de acordos coletivos, imobilismos contratuais, etc., impondo-os transversalmente a todas as empresas. Face a um mundo em constante mudança e ruturas tecnológicas, as profissões, as empresas e as sociedades que não se adaptam morrem. E é nas empresas que essa luta e transformação é mais sentida, e travada pela inflexibilidade.

 

Olhando para essas vetustas e anacrónicas entidades como a Concertação Social ou o Conselho Económico e Social é como assistir a discussões filosóficas num mundo que está a morrer, mas que a negação, o imobilismo ideológico e o nacionalismo insistem em mumificar. Têm mais que ver com o mundo de Salazar e a Câmara Corporativa do que com o mundo hoje para lá de Badajoz. Não é dali que virá a chave para o necessário crescimento ou para a criação de emprego e riqueza, de forma a podermos acudir com eficácia a situações mais frequentes de exclusão e pobreza, sem o sistemático e quase impossível recurso à dívida.

 

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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comentários mais recentes
Anónimo Há 3 semanas

Pois, é terrível mas tem alguma razão no que diz. Mas não toda.

Isto realmente deu uma grande volta nos últimos 15 anos, no mundo e ainda mais em Portugal.

Mas no caso do nosso país, a prosperidade e a estabilidade económico-social nunca verdadeiramente existiram, foi uma ilusão criada por uma política cambial completamente irresponsável e um endividamento (inicialmente quase só privado) brutal face ao exterior.

O futuro? Bem, o ilusionista do Costa há vezes até pode ter um bocado de sorte e acontecer um "milagre", mas duvido ...