Álvaro Nascimento
Álvaro Nascimento 20 de março de 2017 às 20:34

Imparidades

Temos, então, de discutir a adequação de capital a estas cativações e às novas necessidades de financiamento, escapando ao argumento simplista de alargamento do crédito bancário à economia.

A FRASE...

 

"E enquanto isso não fosse feito, a CGD continuaria a arrastar-se, com um balanço carregado de mau crédito e sem possibilidade de financiar as empresas que podem e devem ter financiamento."

 

António Costa, Jornal ECO, 13 de Março de 2017

 

A ANÁLISE...

 

Diversamente do que parecem sugerir algumas notícias, a constituição de imparidades não implica um aumento da capacidade creditícia no setor bancário. Antes pelo contrário, se não acompanhadas por um reforço dos fundos próprios, o poder para emprestar à economia pode mesmo acabar diminuído. Ao constituir imparidades, os bancos destroem a base de capital e, com isso, a sua capacidade de financiamento.

 

O montante máximo de empréstimos bancários está condicionado por um conjunto de regras regulatórias, de entre as quais, o rácio de solvabilidade é o mais relevante. Quando existe uma forte dinâmica na procura de crédito - de empresas e particulares - a insuficiência de capital é uma limitação. Não sendo esse o caso, a sua manutenção em níveis excedentários onera a rentabilidade da operação.

 

Não querendo retirar importância ao assunto, a discussão está excessivamente centrada no valor das imparidades constituídas pelos bancos. Aliás, sobre as quais não há muito a fazer! Quando as operações de crédito foram contratadas, os bancos assumiram exatamente a eventualidade do incumprimento. A imparidade é o reconhecimento antecipado de que a operação está num percurso divergente face ao esperado.

 

Existem múltiplas razões para que tal possa ocorrer. Desde a conjuntura económica, que afeta negativamente e de forma sistemática empresas e particulares, até razões específicas a determinados negócios ou operações. A medida da imparidade é um assunto de modelos de avaliação. É uma estimativa de perda potencial, reavaliadas que são as condições originais que presidiram à concessão do crédito.

 

Por não ser uma perda efetiva, a imparidade é revista periodicamente e o seu valor é cativado nos fundos próprios. Temos, então, de discutir a adequação de capital a estas cativações e às novas necessidades de financiamento, escapando ao argumento simplista de alargamento do crédito bancário à economia. Até, porque o perfil da procura talvez exija soluções de partilha de risco distintas das tradicionais.

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico 

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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mais votado surpreso Há 1 semana

Favores a amigos golpistas,que ,desde a primeira hora ,sabem que alguém vai cobrir o buraco

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surpreso Há 1 semana

Favores a amigos golpistas,que ,desde a primeira hora ,sabem que alguém vai cobrir o buraco