Jorge Fonseca de Almeida
Jorge Fonseca de Almeida 15 de Novembro de 2016 às 20:17

Impressão em 3D

A impressora a três dimensões é uma das grandes invenções que vai revolucionar a economia mundial nas décadas que aí vêm. Tem todo o potencial para alterar completamente as regras do jogo económico e substituir as empresas e os atores que hoje se movem no mundo da indústria.

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A impressão a 3D revoluciona a técnica de fabrico de objetos. Até hoje a produção industrial partia de matérias-primas, de blocos de metal, de pedra ou de madeira e através de um lento processo de corte, furo, desbaste, escavação, enchimento, moldagem e dobragem atingia o produto final. No processo, grande parte dos materiais originais perdem-se. É uma técnica subtrativa, criadora de desperdício.

 

A impressão a 3D segue outro caminho, aborda a construção de uma perspetiva completamente nova, pela sobreposição persistente de finas, menos de uma centésima de milímetro, camadas de materiais que acumuladas produzem o que pretendemos. As matérias-primas utilizadas são longos filamentos de metal, de plástico, de borracha ou fibra de carbono ou pó de cerâmica ou de vidro que passam por um bocal onde são aquecidos e derretidos, antes de serem depositadas com precisão em camadas sobrepostas. É uma técnica aditiva. O desperdício reduz-se ao mínimo.   

 

A técnica está na infância e espera-se que se desenvolva rapidamente. Atualmente já é utilizada na engenharia biomédica, para fazer próteses à exata medida do paciente, espera-se que se possa evoluir para o fabrico de outras partes do corpo. Na construção civil, na indústria aeroespacial e na automóvel é já utilizada.

 

É um novo mercado que já movimenta mais de 7 mil milhões de euros em 2015 a nível mundial e que cresce a taxas superiores a 30% ao ano.

 

Imaginemos que para fazer um carro deixam de ser necessárias as linhas de montagem, as inúmeras fábricas de motores, de componentes de peças, de acessórios e o produto acabado pode ser fabricado por uma única impressora. Que transformação económica e social representaria este passo?

 

O produto, herói central do marketing, vai passar a ser muito diferente, quer pela forma como é produzido, quer pela forma como passará a ser comercializado.

 

O tempo necessário para passar da ideia ao produto comercializável, o famoso "time to market", vai comprimir-se ainda mais e muitos produtos deixarão de ser vendidos e passarão a ser fabricados em nossa casa com uma impressora simples. O que é importante é ter o design, o plano de impressão e os materias necessários. Em muitos casos passa-se a vender a ideia e o consumidor tornar-se-á também produtor.

 

A ideia de coprodução, já presente em alguns produtos, tenderá a espalhar-se e a ganhar uma nova dimensão mais física e palpável.

 

É importante que o Estado, através de investimento público, aposte na investigação e na integração desta nova tecnologia no tecido empresarial público português. Às empresas privadas cabe a outra parte, mas pelos passos já dados é claro que o esforço para não ficarem para trás tem de ser muito maior.

 

Portugal falhou a revolução industrial baseada no carvão e no caminho de ferro, falhou a segunda onda de industrialização, a do automóvel e do petróleo, estamos a ficar para trás na revolução das novas tecnologias. É preciso inverter a situação.

 

Economista

 

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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